O Professor Laércio B. Fonseca fala, em uma de suas palestras disponiveis no seu canal de videos no youtube, sobre a quantidade de energias mentais e fisicas que as pessoas gastam para a realizaçao de seus desejos baratos. Desejos baratos, realizaçoes pequenas, me lembram as aulas de Orientaçao Vocacional que eu tinha enquanto aluna do Curso de Pedagogia ha mais de 25 anos. Aprendiamos que quanto mais altos os anseios, os projetos, os objetivos, mais tinhamos que nos esforçar para alcança-los. Pessoas com desejos pequenos, fariam coisas pequenas, porque sempre haveria uma distancia entre o que desejassemos e o que realizariamos. Entao, ja que a disparidade se manifestaria, de antemao, era importante ampliar o espectro projetado.
Concentrar energias mentais, emoçoes, cogniçoes e açoes para realizar grandes desejos sera uma atitude economica no universo e ao mesmo tempo nos integrara em grandes movimentaçoes em prol do processo continuo de crescimento, aperfeiçoamento, criaçao e expansao de realidades multiplas e diversas.
Muitos de nos se deitam no berço esplendido das lamurias que indicam e nomeiam pessoas e situaçoes como as responsaveis por nossos infortunios; porém, falta reconhecer que, em ultima instancia, as escolhas foram nossas e que ao limitarmo-nos a viver num perimetro de segurança e aparente conforto, nos escravizamos a um mundo criado por nos mesmos, um mundo de restriçoes em que os grandes desejos foram abandonados, num cambio que poderia ser pensado a La Boetie.
Os desejos baratos relacionam-se com aquisiçoes restritamente egoistas que so beneficiarao a nos mesmos, que se limitam ao tempo e ao espaço de nossa manifestaçao tridimensional.
Desejo que meus desejos sejam enriquecidos por caracteristicas de solidariedade, de congregaçao, de compreensao, de resistencia pacifica no Bem, de ampliaçao do Conhecimento e colaboraçao para a construçao de um mundo de paz, saude e alegria para todos e para cada um.
martedì 19 giugno 2012
Permanencia e impermanencia
Revi ha alguns dias o filme de Bernardo Bertolucci O Pequeno Buda, e me veio à mente a questao da impermanencia da realidade que se traveste de maia, enquanto ilusao da permanencia das coisas, situaçoes e pessoas. A gente se apega à tudo. A gente se acostuma com as coisas e deseja pereniza-las, num constante repetir do fruir de tudo, como crianças que reveem o mesmo filme infinitas vezes e desejam que todos os dias sejam aniversarios com bolos, doces e refrigerantes.
Vivemos num mundo hedonista de prazeres infindos, de manutençao da beleza e da juventude, numa tentativa inutil de perpetuar no tempo a repetiçao infinita de uma atemporalidade idealmente criada.
A busca constante de uma alegria artificiosamente constituida por prazeres culinarios e sexuais, da construçao cotidiana da aparencia e seus complementos, do afago ao ego e à persona criada e alimentada por nos; tudo nos afasta da paz.
Ha uma guerra interna e externamente manifesta para a preservaçao do mundo que criamos à duras penas. Sao desejos que nos impulsionam e que egoisticamente tem que ser realizados, mas que, ao serem concretizados, expoem o vazio que so aumenta seu diametro em expansao progressiva.
Desejar menos, contentar-se com as coisas simples, as situaçoes pequenas e as pessoas anonimas mas ricas em sua grandeza humana, trazem mais bem estar do que uma vida de riqueza socio-economica e de projeçao da persona segundo os canones morais institucionais.
Viver cada dia em paz apesar das incongruencias pode ser mais proveitoso para o amadurecer do espirito do que ter seguidos periodos de "felicidade" ilusoria. Lembro sempre de uma parenta que me dizia que tinha pavor dos finais de semana sem churrascos e sem pagode, sem a casa cheia de gente. Eu perguntei o porque e ela me respondeu: "Se fico sozinha em silencio começo a pensar e fico triste." A dificuldade da gente se olhar, se ouvir, e descobrir que muita coisa nao vai bem, e que muita coisa tem que mudar, e que a gente vai ter que sair do perimetro da "felicidade" artificial, é realmente assustador.
Enfrentar o espelho, o drama, o horror e a crueza fazem parte de uma vida realmente calcada na maturidade da compreensao da impermanencia; nem toda alegria e nem toda dor serao permanentes. A cada mutaçao do nosso ser se fazem presentes transformaçoes fisicas, emocionais, cognitivas e espirituais, e é a assunçao dos novos estados que nos habilita a incursionarmos por outras dimensoes.
Assumamos que a impermanencia é a natureza do curso da vida e que a permanencia é a morte do aperfeiçoamento e seremos felizes na paz da compreensao.
Vivemos num mundo hedonista de prazeres infindos, de manutençao da beleza e da juventude, numa tentativa inutil de perpetuar no tempo a repetiçao infinita de uma atemporalidade idealmente criada.
A busca constante de uma alegria artificiosamente constituida por prazeres culinarios e sexuais, da construçao cotidiana da aparencia e seus complementos, do afago ao ego e à persona criada e alimentada por nos; tudo nos afasta da paz.
Ha uma guerra interna e externamente manifesta para a preservaçao do mundo que criamos à duras penas. Sao desejos que nos impulsionam e que egoisticamente tem que ser realizados, mas que, ao serem concretizados, expoem o vazio que so aumenta seu diametro em expansao progressiva.
Desejar menos, contentar-se com as coisas simples, as situaçoes pequenas e as pessoas anonimas mas ricas em sua grandeza humana, trazem mais bem estar do que uma vida de riqueza socio-economica e de projeçao da persona segundo os canones morais institucionais.
Viver cada dia em paz apesar das incongruencias pode ser mais proveitoso para o amadurecer do espirito do que ter seguidos periodos de "felicidade" ilusoria. Lembro sempre de uma parenta que me dizia que tinha pavor dos finais de semana sem churrascos e sem pagode, sem a casa cheia de gente. Eu perguntei o porque e ela me respondeu: "Se fico sozinha em silencio começo a pensar e fico triste." A dificuldade da gente se olhar, se ouvir, e descobrir que muita coisa nao vai bem, e que muita coisa tem que mudar, e que a gente vai ter que sair do perimetro da "felicidade" artificial, é realmente assustador.
Enfrentar o espelho, o drama, o horror e a crueza fazem parte de uma vida realmente calcada na maturidade da compreensao da impermanencia; nem toda alegria e nem toda dor serao permanentes. A cada mutaçao do nosso ser se fazem presentes transformaçoes fisicas, emocionais, cognitivas e espirituais, e é a assunçao dos novos estados que nos habilita a incursionarmos por outras dimensoes.
Assumamos que a impermanencia é a natureza do curso da vida e que a permanencia é a morte do aperfeiçoamento e seremos felizes na paz da compreensao.
lunedì 11 giugno 2012
A presença escandalosa de Deus em nossas vidas
Desde muito jovem tive grande interesse em percorrer caminhos de religiosidade. Fui motivada primeiramente ao frequentar o Catolicismo por orientaçao familiar. Depois, por questionamentos pessoais aparentemente insanaveis, dei por me encontrar no Espiritismo. Na busca por ampliar o estudo e a pratica da religiosidade tentei praticar o Budismo Tibetano e, por fim, hoje me autodenomino Espiritualista universalista, sem religioes ou dogmas absolutos, mas procurando a Verdade nas verdades enunciadas nos credos de percepçoes mais amplas. Quero aprender com todos que tem algo a dizer de significativo para a construçao da minha cosmovisao, e penso que a grande motivaçao foi e continua sendo a minha busca continua por Deus.
Deus foi uma ideia sendo construida em mim num progressivo abandono da visao antropologica que as religioes em geral adotam. Muitos me auxiliaram a pensar Deus: Jesus Cristo, Kardec, Buda, Einstein, Dewey e as inteligencias de outras dimensoes, em condiçoes corporeas ou nao, que tem manifestado suas concepçoes acerca da divindade, seja por tradiçoes orais, escritos conscientes, mediunidade, canalizaçao, escritas extradimensionais ou transcomunicaçao instrumental.
Sinto-me como alguém que dispensa as corroboraçoes restritivas da racionalidade cientifica e valoriza a intuiçao como modo de conhecer. Ha coisas que sinto e sei e que, raciocinadas logicamente, se conjugam conformando uma concepçao, uma ideia, um argumento que para mim dispensam os exercicios de um ceticismo exacerbado. Para mim sentir e pensar sao sentir-pensar, nao duas coisas mas uma em continuidade com a outra até o ponto em que, no exercicio, sao uma so. Se pensar desprezando minhas intuiçoes e sensaçoes, me reduzo a um paradigma que me impede de penetrar outra dimensao além da terceira, da métrica, da objetividade positivista. Se sinto sem raciocinar, posso estar sendo levada por intençoes alheias que manipulam meu imaginario. Entao, sempre o caminho do meio. Sentir-pensar.
Reflito sempre acerca de uma frase recorrente de um amigo meu, Joao Vieira, sobre "a presença escandalosa de Deus em nossas vidas". Nos momentos mais amargos de minha vida nos quais vibrava em niveis muito baixos permitindo a entrada em minha psicosfera de individuos espirituais na mesma sintonia que a minha, quando parecia que a vivencia da angustia existencial tendia para a nadificaçao total mergulhada em nihilismo, eu tinha sinais que mais pareciam "neons" à minha frente. Por vezes pessoas desconhecidas inesperadamente e de formas inusitadas atravessaram o meu caminho, me interpelaram e proferiram ditos e palavras justissimos para a minha situaçao. Manifestaçoes mediunicas de psicografia incidiam em teor exatamente sobre minhas perquiriçoes mentais mais intimas. Sonhos e desdobramentos me colocaram diretamente em contato com entidades que, simbolicamente e até diretamente, demonstravam o que eu significava para elas e quais as tarefas em que eu me colocava na minha condiçao de interexistencialidade, ou seja, no aqui e agora e na minha paralela convivencia fora do corpo fisico da terceira dimensao.
Sao coisas que nao podem ser levadas ao laboratorio, controladas por cientistas nem restritas às visoes religiosas, sao experiencias particularissimas e que, ao serem partilhadas por meio de discursos, encontram similaridades em outras pessoas, o que reforça a universalidade de suas manifestaçoes.
Deus, enquanto uma força criadora universal que a tudo da vida primordial, é vivido e nao meramentre pensado pelos seres de todos os espaços. Todos os seres cumprem a divindade em si quando se encaminham em vibraçoes de amor e paz, quando se empenham em seus proprios processos de ampliaçao de sua subjetividade em comunhao com os demais seres do seu entorno numa perspectiva de vastos e infindaveis horizontes.
A presença escandalosa de Deus em nossas vidas é um recado muito gentil e amoroso das entidades espirituais nos dizendo que, nao importa em que mundinho estejamos inseridos momentaneamente, nos somos, todos somos, muitissimo importantes para o concerto universal da criaçao, manutençao e recriaçao de seres e mundo.
Deus foi uma ideia sendo construida em mim num progressivo abandono da visao antropologica que as religioes em geral adotam. Muitos me auxiliaram a pensar Deus: Jesus Cristo, Kardec, Buda, Einstein, Dewey e as inteligencias de outras dimensoes, em condiçoes corporeas ou nao, que tem manifestado suas concepçoes acerca da divindade, seja por tradiçoes orais, escritos conscientes, mediunidade, canalizaçao, escritas extradimensionais ou transcomunicaçao instrumental.
Sinto-me como alguém que dispensa as corroboraçoes restritivas da racionalidade cientifica e valoriza a intuiçao como modo de conhecer. Ha coisas que sinto e sei e que, raciocinadas logicamente, se conjugam conformando uma concepçao, uma ideia, um argumento que para mim dispensam os exercicios de um ceticismo exacerbado. Para mim sentir e pensar sao sentir-pensar, nao duas coisas mas uma em continuidade com a outra até o ponto em que, no exercicio, sao uma so. Se pensar desprezando minhas intuiçoes e sensaçoes, me reduzo a um paradigma que me impede de penetrar outra dimensao além da terceira, da métrica, da objetividade positivista. Se sinto sem raciocinar, posso estar sendo levada por intençoes alheias que manipulam meu imaginario. Entao, sempre o caminho do meio. Sentir-pensar.
Reflito sempre acerca de uma frase recorrente de um amigo meu, Joao Vieira, sobre "a presença escandalosa de Deus em nossas vidas". Nos momentos mais amargos de minha vida nos quais vibrava em niveis muito baixos permitindo a entrada em minha psicosfera de individuos espirituais na mesma sintonia que a minha, quando parecia que a vivencia da angustia existencial tendia para a nadificaçao total mergulhada em nihilismo, eu tinha sinais que mais pareciam "neons" à minha frente. Por vezes pessoas desconhecidas inesperadamente e de formas inusitadas atravessaram o meu caminho, me interpelaram e proferiram ditos e palavras justissimos para a minha situaçao. Manifestaçoes mediunicas de psicografia incidiam em teor exatamente sobre minhas perquiriçoes mentais mais intimas. Sonhos e desdobramentos me colocaram diretamente em contato com entidades que, simbolicamente e até diretamente, demonstravam o que eu significava para elas e quais as tarefas em que eu me colocava na minha condiçao de interexistencialidade, ou seja, no aqui e agora e na minha paralela convivencia fora do corpo fisico da terceira dimensao.
Sao coisas que nao podem ser levadas ao laboratorio, controladas por cientistas nem restritas às visoes religiosas, sao experiencias particularissimas e que, ao serem partilhadas por meio de discursos, encontram similaridades em outras pessoas, o que reforça a universalidade de suas manifestaçoes.
Deus, enquanto uma força criadora universal que a tudo da vida primordial, é vivido e nao meramentre pensado pelos seres de todos os espaços. Todos os seres cumprem a divindade em si quando se encaminham em vibraçoes de amor e paz, quando se empenham em seus proprios processos de ampliaçao de sua subjetividade em comunhao com os demais seres do seu entorno numa perspectiva de vastos e infindaveis horizontes.
A presença escandalosa de Deus em nossas vidas é um recado muito gentil e amoroso das entidades espirituais nos dizendo que, nao importa em que mundinho estejamos inseridos momentaneamente, nos somos, todos somos, muitissimo importantes para o concerto universal da criaçao, manutençao e recriaçao de seres e mundo.
mercoledì 6 giugno 2012
Vida - tela em movimento
O escritor extradimensional Fabio Del Santoro proferiu uma frase que me tocou bastante: "A vida nao é um quadro emoldurado na parede". Realmente, a visao de Del Santoro se encaixa perfeitamente numa compreensao de minha propria vida e dos significados que sempre procurei imprimir nela, seja por impulso proprio e consciente ou seja por imposiçao das circunstancias.
A vida é um percurso empreendido e ao mesmo tempo é a propria manifestaçao do existir. Um esforço em realizar uma tendencia ao aperfeiçoamento e ao progresso, por escolha ou por adesao às variaveis.
O famoso verso cantado por Beth Carvalho e por Zeca Pagodinho "deixa a vida me levar, vida leva eu" me faz pensar em duas possibilidades, a primeira é que é super saudavel nao tentar impor os desejos egoicos que nos fazem perder a conexao com o todo manifesto no movimento universal, procurar sim seguir o fluxo da vida sem grandes perdas de energia e tentar manter firme o equilibrio e a atitude pacifica frente aos impositivos cotidianos (quem dera eu fosse assim...!!!). Mas também me incomoda a passividade de quem segue o fluxo como massa de manobra, ser alguém que nao determina suas escolhas, que nao imprime conscientemente na vida a sua marca como ser que diz seu proprio significado e atribui significado aos seres que aparentemente nao manifestam consciencia.
Retornando à ideia de que a vida nao é um quadro emoldurado, me apaixona a visao de uma vida que vai sendo tecida à medida em que vamos nos enfronhando com as situaçoes, como um mapa riscado em amplos planos e que, na sua realizaçao, permite incursionar por veredas inusitadas que se apresentam inesperadamente. Imaginar a vida como um plano que pode sempre ser novamente esboçado a partir de cada grande renovaçao de aspectos de nossa cosmovisao.
Ao longo da vida abandonei empregos relativamente seguros com ganho modesto mas certo, posiçoes de aparente conquista no desenvolver da carreira, situaçoes de segurança pessoal como moradia propria e proximidade com os mais caros do coraçao para me enfronhar num mar de novas experiencias emocionais, culturais e espirituais, nem sempre felizes e nem sempre vitoriosas; e é claro que os atavismos mais tenebrosos sempre emergem nas pequenas crises do dia-a-dia, cobrando a "imprevidencia" e a impulsividade de meus atos; porém, observando com clareza, vejo que tentei pintar minha vida como o quadro nao emoldurado na parede, algo que nao é para ser visto em estado de finitude, de acabamento, mas algo em construçao; minha vida nao é quadro para ser observado e valorizado como modelo de beleza e cumprimento dos canones alheios.
A vida enquanto escolha deve ser vivida com espirito de paixao e aventura, procurando sempre ser coerente com os mais caros e anelados valores de nosso imo. Viver a vida como um projeto que se estende, se revela à medida em que vamos nos colocando nas cenas construidas por nos atores imersos no contexto geral.
A vida enquanto "deixa levar" também nao se restringe a um quadro imovel, mas é um reconhecimento da impossibilidade de dominarmos tudo e todos, o que nao implica em abdicarmos de sermos quem somos, de nos postarmos como joguetes.
A imagem que consigo construir é a de uma arvore maleavel ao toque do vento suave ou das borrascas, mas que ao mesmo tempo se mantem firme em suas raizes e preservada em sua essencialidade. Arvore que, aparentemente imovel, se inclina para fruir de sol e de agua, que estende as raizes e expressa a sua individualidade. A neve, o sol escaldante, a chuva torrencial, destroem alguns individuos de uma espécie vegetal, enquanto outros da mesma espécie sobrevivem denodadamente. Pintar a tela da vida em movimento revelando nosso esforço em realizar nossos intuitos e ao mesmo tempo nos permitindo vivenciar aquilo que os dias nos trazem, é um dom de sobrevivencia.
A vida é um percurso empreendido e ao mesmo tempo é a propria manifestaçao do existir. Um esforço em realizar uma tendencia ao aperfeiçoamento e ao progresso, por escolha ou por adesao às variaveis.
O famoso verso cantado por Beth Carvalho e por Zeca Pagodinho "deixa a vida me levar, vida leva eu" me faz pensar em duas possibilidades, a primeira é que é super saudavel nao tentar impor os desejos egoicos que nos fazem perder a conexao com o todo manifesto no movimento universal, procurar sim seguir o fluxo da vida sem grandes perdas de energia e tentar manter firme o equilibrio e a atitude pacifica frente aos impositivos cotidianos (quem dera eu fosse assim...!!!). Mas também me incomoda a passividade de quem segue o fluxo como massa de manobra, ser alguém que nao determina suas escolhas, que nao imprime conscientemente na vida a sua marca como ser que diz seu proprio significado e atribui significado aos seres que aparentemente nao manifestam consciencia.
Retornando à ideia de que a vida nao é um quadro emoldurado, me apaixona a visao de uma vida que vai sendo tecida à medida em que vamos nos enfronhando com as situaçoes, como um mapa riscado em amplos planos e que, na sua realizaçao, permite incursionar por veredas inusitadas que se apresentam inesperadamente. Imaginar a vida como um plano que pode sempre ser novamente esboçado a partir de cada grande renovaçao de aspectos de nossa cosmovisao.
Ao longo da vida abandonei empregos relativamente seguros com ganho modesto mas certo, posiçoes de aparente conquista no desenvolver da carreira, situaçoes de segurança pessoal como moradia propria e proximidade com os mais caros do coraçao para me enfronhar num mar de novas experiencias emocionais, culturais e espirituais, nem sempre felizes e nem sempre vitoriosas; e é claro que os atavismos mais tenebrosos sempre emergem nas pequenas crises do dia-a-dia, cobrando a "imprevidencia" e a impulsividade de meus atos; porém, observando com clareza, vejo que tentei pintar minha vida como o quadro nao emoldurado na parede, algo que nao é para ser visto em estado de finitude, de acabamento, mas algo em construçao; minha vida nao é quadro para ser observado e valorizado como modelo de beleza e cumprimento dos canones alheios.
A vida enquanto escolha deve ser vivida com espirito de paixao e aventura, procurando sempre ser coerente com os mais caros e anelados valores de nosso imo. Viver a vida como um projeto que se estende, se revela à medida em que vamos nos colocando nas cenas construidas por nos atores imersos no contexto geral.
A vida enquanto "deixa levar" também nao se restringe a um quadro imovel, mas é um reconhecimento da impossibilidade de dominarmos tudo e todos, o que nao implica em abdicarmos de sermos quem somos, de nos postarmos como joguetes.
A imagem que consigo construir é a de uma arvore maleavel ao toque do vento suave ou das borrascas, mas que ao mesmo tempo se mantem firme em suas raizes e preservada em sua essencialidade. Arvore que, aparentemente imovel, se inclina para fruir de sol e de agua, que estende as raizes e expressa a sua individualidade. A neve, o sol escaldante, a chuva torrencial, destroem alguns individuos de uma espécie vegetal, enquanto outros da mesma espécie sobrevivem denodadamente. Pintar a tela da vida em movimento revelando nosso esforço em realizar nossos intuitos e ao mesmo tempo nos permitindo vivenciar aquilo que os dias nos trazem, é um dom de sobrevivencia.
martedì 5 giugno 2012
Familias, experiencias diversas, lagrimas e sorrisos.
Militei na area da Educaçao por 30 anos, sendo 24 de trabalho efetivo, e uma das coisas que mais me incomodavam nos discursos cotidianos escolares eram as criticas às familias. Notava-se claramente um ideologismo mascarador da realidade, um idealismo caracterizado pela lacunaridade, pela abstraçao e pelo universalismo. Familias eram vistas tal como em propagandas de margarina: um tipo burgues universalizado, pai, mae e filhos; sorrisos e mesa farta numa abstraçao das constantes crises economico-financeiras; e por fim, a lacunaridade da inexistencia de contexto real para garantir o café da manha. Qualquer construçao familiar que fugisse a tal estereotipo era nomeada de "familia desajustada", e qualquer dificuldade de aprendizagem e de adaptaçao da criança ao cotidiano escolar era atribuida à familia. Visoes extremamente positivistas no sentido de que analisavam o problema fora do contexto, sem amplitude e com medidas pontuais.
Eu por exemplo, sou oriunda de uma familia que, até a geraçao de meus pais, cumpria o modelo classico burgues ainda que de origem proletaria. Da minha geraçao em diante, as experiencias familiares ja foram construindo quadros que os educadores, em geral, nomeariam de desajustados: separaçoes, unioes fora dos registros religiosos e civis, filhos com mesmas maes e pais diferentes ou vice-versa, filhos criados por avos. Tudo aparentemente muito claro, geraçao da pilula anticoncepcional, do trabalho feminino, da liberalidade de costumes e do afastamento das instituiçoes formais seculares e religiosas. Aparentemente, pois, fazendo um pequeno processo de escavamento nas historias familiares, descobrem-se bisavos e outros que também viveram separados, filhos fora do casamento, pais que abandonavam os filhos e faziam novas unioes, ou seja, tudo como se da hoje so que acobertado pela concepçao idealizada da familia.
Sofri muito na contradiçao vivida por mim mesma; sempre quiz e fiz minha vida a partir dos contextos da pos-modernidade que pretensamente se libertou do paradigma moderno da sociedade industrial e cientifica ordenadora dos costumes. Nao casei formalmente, nao batizei os filhos, separei-me e fiz uma nova experiencia de convivencia. Tudo fora dos padroes classicos familiares. Ao mesmo tempo que me orgulhava de ter me libertado dos tabus, a imagem ideologizada, que estava conceitualmente constituida nos atavismos do meu inconsciente, me cobrava uma vida mais regrada e cumpridora dos modelos, fazendo sempre me sentir inadequada e estranha.
Constituir uma uniao estavel é, sem duvida, um anseio geral, com pouquissimas pessoas que se colocam firmemente na frente das unioes volateis. Mas contra tudo, ha a biologia e a antropologia. Biologicamente a paixao que atrai os casais dura em média dois a tres anos, depois o chamado amor tem que ser construido na raça, com persistencia, paciencia e afinco, digamos que, caracteristicas nao muito cultivadas ultimamente. Antropologicamente analisando, a estabilidade depende dos valores culturais do imaginario coletivo, muitas vezes favorecedores do individualismo egocentrico.
Para os possiveis filhos, uma certa estabilidade na relaçao entre os pais favorece o equilibrio psiquico. Porém nada é garantia. Ha unioes fora dos padroes que geram pessoas bacanas, felizes e equilibradas, e unioes classicas que produzem pessoas em crise permanente, e tudo ao inverso também é verdadeiro. Nao ha receitas e nao ha relaçoes imediatas de causas e efeitos.
Ha a interveniencia individual daquele que por si ja é peculiar ao ponto de sair dos padroes cientificamente esperados e tem um jeito proprio de lidar com a influencia das variaveis socioambientais.
Domingo passado terminou o Encontro Mundial das Familias em Milano. O Papa Benedetto XVI encontrou-se com as familias catolicas e apontou esperanças de acolhimento aos divorciados. A midia local extasiou-se com a existencia publica e manifesta de tantos praticantes e defensores de familias "estaveis". Num mundo de tanta diversidade a intelectualidade militante da pos-modernidade talvez nao esperasse expressoes de alegria, uniao e legitimo congrassamento entre praticantes de uma religiao notadamente dita em crise mundial. Modelos antagonicos que se antepoem e ao mesmo tempo se aproximam. Os catolicos acolhem os divorciados, os pos-modernos observam a existencia de pessoas felizes à maneira convencional.
Dentro de uma visao espiritualista universalista compreendo a familia como um agrupamento de pessoas que trazem individualmente suas historias milenares e seus atavismos bem como herdam determinantes biologicos do grupo ao qual se agregam por meio do renascimento. Entre karmas e dharmas vamos todos realinhando sentimentos e entendimentos conceituais. Mas nao so, familias também sao os agrupamentos dos afins e das linhagens espirituais. Temos todos compromissos pessoa a pessoa mas também enquanto naçoes e culturas.
Tudo para mim se encaminha numa direçao de estender as responsabilidades pela criaçao de nucleos de paz e amor dos mais proximos aos mais distantes, independente de padroes limitados de uma sociedade burguesa e pos-industrial. Interessante conseguir superar lagrimas e constituir sorrisos em diversas experiencias de convivencia grupal e criar familias diferentes mas todas com a marca do respeito e da consideraçao de todos os delas participantes.
Eu por exemplo, sou oriunda de uma familia que, até a geraçao de meus pais, cumpria o modelo classico burgues ainda que de origem proletaria. Da minha geraçao em diante, as experiencias familiares ja foram construindo quadros que os educadores, em geral, nomeariam de desajustados: separaçoes, unioes fora dos registros religiosos e civis, filhos com mesmas maes e pais diferentes ou vice-versa, filhos criados por avos. Tudo aparentemente muito claro, geraçao da pilula anticoncepcional, do trabalho feminino, da liberalidade de costumes e do afastamento das instituiçoes formais seculares e religiosas. Aparentemente, pois, fazendo um pequeno processo de escavamento nas historias familiares, descobrem-se bisavos e outros que também viveram separados, filhos fora do casamento, pais que abandonavam os filhos e faziam novas unioes, ou seja, tudo como se da hoje so que acobertado pela concepçao idealizada da familia.
Sofri muito na contradiçao vivida por mim mesma; sempre quiz e fiz minha vida a partir dos contextos da pos-modernidade que pretensamente se libertou do paradigma moderno da sociedade industrial e cientifica ordenadora dos costumes. Nao casei formalmente, nao batizei os filhos, separei-me e fiz uma nova experiencia de convivencia. Tudo fora dos padroes classicos familiares. Ao mesmo tempo que me orgulhava de ter me libertado dos tabus, a imagem ideologizada, que estava conceitualmente constituida nos atavismos do meu inconsciente, me cobrava uma vida mais regrada e cumpridora dos modelos, fazendo sempre me sentir inadequada e estranha.
Constituir uma uniao estavel é, sem duvida, um anseio geral, com pouquissimas pessoas que se colocam firmemente na frente das unioes volateis. Mas contra tudo, ha a biologia e a antropologia. Biologicamente a paixao que atrai os casais dura em média dois a tres anos, depois o chamado amor tem que ser construido na raça, com persistencia, paciencia e afinco, digamos que, caracteristicas nao muito cultivadas ultimamente. Antropologicamente analisando, a estabilidade depende dos valores culturais do imaginario coletivo, muitas vezes favorecedores do individualismo egocentrico.
Para os possiveis filhos, uma certa estabilidade na relaçao entre os pais favorece o equilibrio psiquico. Porém nada é garantia. Ha unioes fora dos padroes que geram pessoas bacanas, felizes e equilibradas, e unioes classicas que produzem pessoas em crise permanente, e tudo ao inverso também é verdadeiro. Nao ha receitas e nao ha relaçoes imediatas de causas e efeitos.
Ha a interveniencia individual daquele que por si ja é peculiar ao ponto de sair dos padroes cientificamente esperados e tem um jeito proprio de lidar com a influencia das variaveis socioambientais.
Domingo passado terminou o Encontro Mundial das Familias em Milano. O Papa Benedetto XVI encontrou-se com as familias catolicas e apontou esperanças de acolhimento aos divorciados. A midia local extasiou-se com a existencia publica e manifesta de tantos praticantes e defensores de familias "estaveis". Num mundo de tanta diversidade a intelectualidade militante da pos-modernidade talvez nao esperasse expressoes de alegria, uniao e legitimo congrassamento entre praticantes de uma religiao notadamente dita em crise mundial. Modelos antagonicos que se antepoem e ao mesmo tempo se aproximam. Os catolicos acolhem os divorciados, os pos-modernos observam a existencia de pessoas felizes à maneira convencional.
Dentro de uma visao espiritualista universalista compreendo a familia como um agrupamento de pessoas que trazem individualmente suas historias milenares e seus atavismos bem como herdam determinantes biologicos do grupo ao qual se agregam por meio do renascimento. Entre karmas e dharmas vamos todos realinhando sentimentos e entendimentos conceituais. Mas nao so, familias também sao os agrupamentos dos afins e das linhagens espirituais. Temos todos compromissos pessoa a pessoa mas também enquanto naçoes e culturas.
Tudo para mim se encaminha numa direçao de estender as responsabilidades pela criaçao de nucleos de paz e amor dos mais proximos aos mais distantes, independente de padroes limitados de uma sociedade burguesa e pos-industrial. Interessante conseguir superar lagrimas e constituir sorrisos em diversas experiencias de convivencia grupal e criar familias diferentes mas todas com a marca do respeito e da consideraçao de todos os delas participantes.
domenica 3 giugno 2012
Raizes e sombras em dias de sol e noites de estrelas e chuva
Habito na casa de meu companheiro, ele é artista plastico, jardineiro, horticultor e operario, exatamente nessa ordem, do fruir gratuito à necessidade de sobrevivencia. Passo alguns momentos com ele, apos o almoço ou ao final da tarde, sentada num banco em frente ao jardim ou numa escada para o pequeno horto organico. La ha incontaveis tipos de plantas alimenticias, entre arvores frutiferas, verduras e legumes, além das flores, agaves e cactus. Uma miscelania em um pequeno espaço que acaba por criar a sensaçao de amplitude em meio a uma explosao de cores, sabores, odores e a profusao de trabalho de insetos, lumacas e gecos, tudo num retumbante final de primavera.
Eu habitei um morro até 18 anos e tive uma infancia privilegiada com arvores, flores, colinas e lagoa. Depois fiquei restrita à cidade exclusivamente assentada em alfalto; e agora, ha um ano, retornei para um ambiente urbanizado porém mais prodigo em natureza.
Recordo sempre de uma alameda maravilhosa onde habitava uma prima de meu pai, a Hilda. Quando minha mae solicitava que eu fosse dar um recado eu amava a incumbencia, pois a rua da Hilda era de terra, havia eucaliptos em todo o percurso e, por mais sol torrido que fizesse, ao adentrar a alameda, eu penetrava num mundo de frescor, de verde intenso, com réstias de luz que passavam por entre os altos galhos das arvores e de sons tranquilizadores que o farfalhar produzia. Lembranças como essas eram como quartos onde eu repousava antes de vir morar aqui.
Agora me sinto abrigada como um bebe num utero aconchegante. Das sacadas do quarto de dormir, vejo de um lado colinas, uma estrada com arvores e casas floridas, do outro lado vislumbro uma grande montanha, um imenso lago e casas ensombradas por altas arvores. Quando é noite, um céu esplendente de estrelas.
De tudo ainda me encanta sobremaneira as noites de chuva quando deito e sinto os pingos intensos sobre o telhado e nas sacadas. Fecho os olhos e me sinto penetrar fundo num mar de pacificaçao. Se ha trovoes e relampagos, a força da natureza me extasia. Talvez eu seja filha de Iansa.
Penso em Martin Heidegger e no Caminho do Campo, nas profundas raizes que saem de nos e se alojam nas terras férteis de nossa propria ancestralidade. Como em varias telas de Frida Khalo. Frida com seus quadros e Heidegger com esse texto em particular, criaram imagens que movimentaram sentimentos. Fizeram-me reconceituar significativamente palavras. Diziam meu mundo onirico reportado à realidade dita objetiva. As coisas que penso, sinto e sonho se imiscuem todas num misto de razao e sensibilidade. Alguma coisa que é inefavel, o indizivel. Minhas raizes todas, os negros, os indios, os portugueses, os franceses, todos provaveis e todos lidos em signos indiciarios, marcas no corpo, atavismos e traços culturais.
Quando jovem nao sabia de nenhuma dessas coisas, nao sabia o valor das raizes, da importancia da preservaçao da memoria e da reverencia aos antepassados. Mas hoje, observando o movimento em torno da casa, toda a profusao de vida e de harmonia num labor intenso, sinto diariamente como se, eu com tudo, eu com todos, estivesse estendendo raizes e, daquele solo fértil, retirando meu alimento. Com se ao expandir meus galhos em direçao aos céus, eu fosse alcançar estrelas. Retornar aos meus que deram vidas incontaveis para minha propria vida e que eu estendi em e aos meus filhos.
A vida humana como continuidade da natureza; um constante recriar-se no mesmo e sempre que se renova e se expande.
Quero construir poeticamente minha existencia como um traço japones, intenso, curto e profundo. Construir significancias em silencio, como o trabalho das raizes, como a generosidade das sombras, a intensidade dos raios solares, a luminosidade estelar e o frescor dos pingos da chuva.
Eu habitei um morro até 18 anos e tive uma infancia privilegiada com arvores, flores, colinas e lagoa. Depois fiquei restrita à cidade exclusivamente assentada em alfalto; e agora, ha um ano, retornei para um ambiente urbanizado porém mais prodigo em natureza.
Recordo sempre de uma alameda maravilhosa onde habitava uma prima de meu pai, a Hilda. Quando minha mae solicitava que eu fosse dar um recado eu amava a incumbencia, pois a rua da Hilda era de terra, havia eucaliptos em todo o percurso e, por mais sol torrido que fizesse, ao adentrar a alameda, eu penetrava num mundo de frescor, de verde intenso, com réstias de luz que passavam por entre os altos galhos das arvores e de sons tranquilizadores que o farfalhar produzia. Lembranças como essas eram como quartos onde eu repousava antes de vir morar aqui.
Agora me sinto abrigada como um bebe num utero aconchegante. Das sacadas do quarto de dormir, vejo de um lado colinas, uma estrada com arvores e casas floridas, do outro lado vislumbro uma grande montanha, um imenso lago e casas ensombradas por altas arvores. Quando é noite, um céu esplendente de estrelas.
De tudo ainda me encanta sobremaneira as noites de chuva quando deito e sinto os pingos intensos sobre o telhado e nas sacadas. Fecho os olhos e me sinto penetrar fundo num mar de pacificaçao. Se ha trovoes e relampagos, a força da natureza me extasia. Talvez eu seja filha de Iansa.
Penso em Martin Heidegger e no Caminho do Campo, nas profundas raizes que saem de nos e se alojam nas terras férteis de nossa propria ancestralidade. Como em varias telas de Frida Khalo. Frida com seus quadros e Heidegger com esse texto em particular, criaram imagens que movimentaram sentimentos. Fizeram-me reconceituar significativamente palavras. Diziam meu mundo onirico reportado à realidade dita objetiva. As coisas que penso, sinto e sonho se imiscuem todas num misto de razao e sensibilidade. Alguma coisa que é inefavel, o indizivel. Minhas raizes todas, os negros, os indios, os portugueses, os franceses, todos provaveis e todos lidos em signos indiciarios, marcas no corpo, atavismos e traços culturais.
Quando jovem nao sabia de nenhuma dessas coisas, nao sabia o valor das raizes, da importancia da preservaçao da memoria e da reverencia aos antepassados. Mas hoje, observando o movimento em torno da casa, toda a profusao de vida e de harmonia num labor intenso, sinto diariamente como se, eu com tudo, eu com todos, estivesse estendendo raizes e, daquele solo fértil, retirando meu alimento. Com se ao expandir meus galhos em direçao aos céus, eu fosse alcançar estrelas. Retornar aos meus que deram vidas incontaveis para minha propria vida e que eu estendi em e aos meus filhos.
A vida humana como continuidade da natureza; um constante recriar-se no mesmo e sempre que se renova e se expande.
Quero construir poeticamente minha existencia como um traço japones, intenso, curto e profundo. Construir significancias em silencio, como o trabalho das raizes, como a generosidade das sombras, a intensidade dos raios solares, a luminosidade estelar e o frescor dos pingos da chuva.
venerdì 1 giugno 2012
A tragédia humana nos caminhos percorridos
A trajetoria de Odisseu me comove em dois aspectos, um como emblema da tragédia humana, ou seja, a condiçao dada ao homem de poder exercer o livre arbitrio e, ao mesmo tempo, ser dirigido em seu destino pelos deuses. O fado é tecido e interferido pela vontade arbitraria dos deuses e o homem, como joguete em suas maos, ou se limita a obedece-los, ou os arrosta, ainda que saiba que, ao final, vai ser subjugado pelos mesmos. O outro aspecto para mim relevante é o da viagem empreendida que tem como escopo maior nao o fim extrinseco, ou seja, a chegada ao término, mas a finalidade intrinseca ao proprio percurso. A viagem de Odisseu é o encontro consigo mesmo, o percurso é mais significativo do que o retorno à Itaca. Para mim, o retorno é apenas a paragem para projetar novos empreendimentos.
Estamos sempre entre duas possibilidades de interpretaçao, nossa vida é arquitetada previamente e é um script sem chance de ser reescrito, ou é obra puramente de nossa açao e nosso envolvimento com o mundo? Na primeira podemos nos postar numa perspectiva metafisica religiosa ou filosofica, onde o homem tem uma finalidade e é constrito a realiza-la e o livre arbitrio é apenas a aquiescencia ou nao a tal imposiçao. A constituiçao biologica do homem ja o predispoe para uma determinada forma de interaçao com o mundo. A segunda possibilidade coloca o homem existencialmente como alguém historicamente dado mas com ferramentas para alterar conscientemente seu papel na construçao de causas e consequencias, sem pré-definiçoes ou determinismos absolutos, além de entende-lo como organismo construido em interaçao com o meio.
Eu penso numa via di mezzo, numa programaçao em longos planos que podem ser modificados em determinados pontos. Entendo que o ser inteligente tendo maior grau de consciencia de si proprio é chamado a opinar sobre a vida a ser construida. Nao havendo alcançado maior consciencia, acaba por ser encaminhado à vida por mecanismos vinculados às leis de causa e efeito, as quais o projetam segundo suas propria historia. De qualquer maneira, é sempre ele que dirige sua projeçao na vida, antes, durante e depois da experiencia carnal.
Penso que somos relativamente livres e temos o destino nao como fatalidade mas como um projeto, ou seja, um plano escrito que pode ser redesenhado, que pode ser redefinido a partir dos encontros e esbarroes que sofremos ao longo da vida. Penso que é como nossas promessas de final de ano, nossos projetos de exercicios, dieta alimentar, cumprimento de agenda, superaçao de dificuldades, controle dos gastos... prometemos muito e, ao final do novo ano, no balanço de perdas e danos, vemos que pouco ou nada realizamos. Talvez haja uma certa megalomania ao programarmos a vida e quando vamos realmente atualiza-la, do plano potencial para a planificaçao diaria, se verifica um hiato, uma distancia imensa.
Os caminhos que percorremos tem aspectos que lembram uma "forçada de barra" para que neles penetremos, mas também se apresentam como extremamente maleaveis à nossa intervençao. Muitas vezes revendo passagens de minha vida, observo que muitas decisoes foram realmente escolhas determinantes, como testes que se apresentavam, para onde ir, o que fazer, com quem partilhar. Lembro sempre do Professor Roberto Aurélio Manço quando ele nos apresentava uma escala de interesses que indicava a tendencia de nosso carater. Talvez as experiencias predefinidas e nossa forma livre de vivencia-las, a partir da aplicaçao do livre arbitrio, é que dao o significado às nossas vidas, pois ai vamos estruturando nosso carater com a aquisiçao de novas caracteristicas que o robustecem e, dai, poderemos projetar novas e mais interessantes vidas aqui ou em outros mundos e dimensoes.
A tragédia grega nao é so a marca do sofrimento de Odisseu mas também o arquétipo da conquista humana da sua propria constituiçao de ser em busca da construçao de si mesmo a partir dos caminhos que percorre, escolhidos ou nao.
Estamos sempre entre duas possibilidades de interpretaçao, nossa vida é arquitetada previamente e é um script sem chance de ser reescrito, ou é obra puramente de nossa açao e nosso envolvimento com o mundo? Na primeira podemos nos postar numa perspectiva metafisica religiosa ou filosofica, onde o homem tem uma finalidade e é constrito a realiza-la e o livre arbitrio é apenas a aquiescencia ou nao a tal imposiçao. A constituiçao biologica do homem ja o predispoe para uma determinada forma de interaçao com o mundo. A segunda possibilidade coloca o homem existencialmente como alguém historicamente dado mas com ferramentas para alterar conscientemente seu papel na construçao de causas e consequencias, sem pré-definiçoes ou determinismos absolutos, além de entende-lo como organismo construido em interaçao com o meio.
Eu penso numa via di mezzo, numa programaçao em longos planos que podem ser modificados em determinados pontos. Entendo que o ser inteligente tendo maior grau de consciencia de si proprio é chamado a opinar sobre a vida a ser construida. Nao havendo alcançado maior consciencia, acaba por ser encaminhado à vida por mecanismos vinculados às leis de causa e efeito, as quais o projetam segundo suas propria historia. De qualquer maneira, é sempre ele que dirige sua projeçao na vida, antes, durante e depois da experiencia carnal.
Penso que somos relativamente livres e temos o destino nao como fatalidade mas como um projeto, ou seja, um plano escrito que pode ser redesenhado, que pode ser redefinido a partir dos encontros e esbarroes que sofremos ao longo da vida. Penso que é como nossas promessas de final de ano, nossos projetos de exercicios, dieta alimentar, cumprimento de agenda, superaçao de dificuldades, controle dos gastos... prometemos muito e, ao final do novo ano, no balanço de perdas e danos, vemos que pouco ou nada realizamos. Talvez haja uma certa megalomania ao programarmos a vida e quando vamos realmente atualiza-la, do plano potencial para a planificaçao diaria, se verifica um hiato, uma distancia imensa.
Os caminhos que percorremos tem aspectos que lembram uma "forçada de barra" para que neles penetremos, mas também se apresentam como extremamente maleaveis à nossa intervençao. Muitas vezes revendo passagens de minha vida, observo que muitas decisoes foram realmente escolhas determinantes, como testes que se apresentavam, para onde ir, o que fazer, com quem partilhar. Lembro sempre do Professor Roberto Aurélio Manço quando ele nos apresentava uma escala de interesses que indicava a tendencia de nosso carater. Talvez as experiencias predefinidas e nossa forma livre de vivencia-las, a partir da aplicaçao do livre arbitrio, é que dao o significado às nossas vidas, pois ai vamos estruturando nosso carater com a aquisiçao de novas caracteristicas que o robustecem e, dai, poderemos projetar novas e mais interessantes vidas aqui ou em outros mundos e dimensoes.
A tragédia grega nao é so a marca do sofrimento de Odisseu mas também o arquétipo da conquista humana da sua propria constituiçao de ser em busca da construçao de si mesmo a partir dos caminhos que percorre, escolhidos ou nao.
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