Assisti uma entrevista que Antonio Abujamra fez com Rubem Alves e matei as saudades. Matei as saudades das leituras, das ideias e do apaixonamento que me fez colocar Rubem Alves nos meus programas de estudos em Filosofia da Educação e em Prática de Ensino de Filosofia, o que acabou redundando em muitas monografias de final de curso baseadas direta ou indiretamente em seu pensamento.
Recordo-me da primeira vez que tive conhecimento de seus escritos com a guerreira Professora Carmen Lydia Dias Carvalho Lima. Entre vários livros indicados eu li Estórias de quem gosta de ensinar. Gostei das histórias, mas não tinha maturidade intelectual e nem vivencial para entender a fundo seu contexto filosófico. Fiquei na superficialidade da moral das histórias, afinal no primeiro ano de Pedagogia aos 18 anos, não é que havia vivido ou estudado tanto...
Ao longo do curso e durante o início de carreira, fui me enfronhando em outros territórios contraditórios, ora no Escolanovismo enquanto exemplo de prática didática, ora na dialética marxista enquanto fundamentação para análise do fenômeno educativo num espectro de interdependência sócio-político-econômico-cultural, bem como de enfrentamento da ideologia dominante e formação da consciência política, especialmente segundo Paulo Freire (no qual eu ainda não havia me dado conta do arcabouço fenomenológico de seu discurso).
Anos depois, num curso de especialização em Educação Brasileira, deitei e rolei em leituras de Antonio Gramsci e Dermeval Saviani, acabando por valorizar por demais a formação intelectual como maneira de autonomizar o indivíduo da ideologia dominante imposta pelas classes homogeneizadoras da cultura. Dar ao indivíduo do povo os instrumentos culturais usufruídos pelas classes político-econômicas dominantes era libertá-lo das limitações ao trabalho escravizador e reprodutor das condições reais de existência. Então, nesse mesmo curso assisti uma aula inaugural de uma disciplina na qual o professor falava de Rubem Alves, exaltando sua teoria, sendo explanada sem indicação de leituras nem maiores aprofundamentos em termos de tempo e espaço. Foi ali e ali mesmo. Eu na minha militância extrema, num momento de envolvimento em greves, cursando Filosofia paralelamente, envolvida na Educação Pública bem como na particular, discutindo o Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, O papel do Trabalho na transformação do Macaco em Homem de Engels, bem como Sobre as Greves de Vladimir Illich Ulianov Lenin com meus alunos de Ensino Médio e Curso Normal, não entendi nada de Rubem Alves. Para mim era o obscurantismo anti-racional e anti-científico, elevando a condição de alienamento da classe dos professores.
Mas penso também que minha condição de pessoa em grave crise existencial, com um relacionamento aos pedaços desde o início, dois filhos pequenos, em meio à turbulência de três empregos e dois cursos, bem como a casa para cuidar e ainda os desejos e frustrações próprios da vida e das minhas contradições enquanto pessoa, me impediram de acessar qualquer coisa do vocabulário e das ideias de Rubem Alves. Imagine para uma militante não revolucionária, mas ao menos reformista, ouvir falar que os "professores deveriam amar", que "os currículos não eram importantes" e por aí vai... Eu nem ao menos entendia algo sério de Friedrich Wilhelm Nietzsche para contextualizar a crítica de Alves e suas proposições.
Levei anos de muitas leituras fundamentais na Filosofia para ir construindo grandes horizontes teóricos, para poder compreender palavras, conceitos e ideias dentro de determinados contextos, bem como muitas "trombadas" na vida para perceber limitações minhas e das várias ideologias enquanto corpos organizados de ideias.
Durante meu mestrado em Filosofia da Educação, passei a me independer mais da Professora Dra. responsável pelas cadeiras que eu lecionava na universidade, bem como de meus próprios dogmas, além de passado e superado tantas tempestades emocionais. Caí do cavalo tantos vezes e tive que me olhar no espelho na nudez da minha alma outras tantas e tantas, descendo ao fundo do poço e tendo que me segurar nas únicas coisas que valem a pena: o amor, a solidariedade, o sentimento. Além é claro de diminuir a arrogância e a prepotência de quem se achava muito e se dava conta então de que a máxima socrática ainda é a de maior validade, a gente só sabe mesmo é que não sabe nada...
Daí para o Rubem Alves foi um átimo.
Um emblema muito forte para mim é o filme Razão e Sensibilidade do Ang Lee, baseado na obra de Jane Austen, em que duas irmas representam os extremos do controle e da exuberância, da emoção e da razão, da contenção e do desregramento, mas também de suas complementações. Penso que eu vivi, e ainda vivo, a contradição de ter também os dois lados muito arraigados em mim e em luta constante, numa tentativa tresloucada de contenção da sensibilidade para poder dirigir minha vida segundo a razão.
Daí que minhas frases com os alunos eram "quem gosta de criança faz criança, para ser professor é necessário gostar de acompanhar o ato de aprender", "eu não tenho que gostar de ninguém, tenho é que ensinar", "sensibilidade é coisa para dentro de casa, o negócio aqui é racionalizar e estudar com disciplina", "não tenho nada a ver com seus problemas, deixe-os fora da sala de aula", "prazer não tem nada a ver com estudar e aprender, é sentar o traseiro na cadeira e se concentrar"... ou seja, minhas aulas eram quase um campo de concentração! Anos depois eu criticaria colegas de profissão que faziam o mesmo que eu em minha primeira metade de vida como professora.
Mas como toda falácia tem perna curta e toda máscara um dia cai, eu também me afoguei em mim mesma e tive que ser macerada como um alho no pilão para exalar o forte perfume aprisionado nas entranhas do meu coração.
Hoje eu sei que para entender o Rubem Alves ou qualquer outro autor a gente tem que estar predisposta pela nossa própria maturação e dentro de um horizonte de perguntas e de insatisfações fundamentais.
Aquela antiga professora não poderia gostar de Rubem Alves, ela era exatamente a que ele criticava e para quem ele indicava um caminho inconcebível, dado ser eu uma pessoa mal resolvida.
Se algum ex-aluno meu dos últimos anos ler esse texto dirá que eu ainda guardava alguns traços da megera, mas que mudei um bocado.
Minhas loas ao Rubem Alves que tem a coragem de incitar em nós o desejo não apenas de sermos melhores professores, mas também pessoas fantásticas que não abandonam a razão mas alimentam, desenvolvem e se guiam pela sensibilidade.
giovedì 26 luglio 2012
lunedì 23 luglio 2012
Jesus antimefafisicamente poético
Fernando Pessoa por meio de seu heterônimo Alberto Caeiro, cria entre outras coisas, no Guardador de Rebanhos, um Jesus antimetafísico poeticamente belo e humano. Na voz da divina Maria Bethania...
domenica 22 luglio 2012
A favor de quem, contra quem
Uma frase de Gandhi, "eu não sou contra o império britânico, eu sou a favor da soberania da Índia", foi citada por Adyashanti quando ele comentava acerca de confiar na vida e na existência, confiar mais no que se acredita, focar no que se defende, não lutar contra algo mas a favor de algo.
E daí eu comecei a pensar que grande parte da minha vida eu levantei bandeiras contra isso e contra aquilo, seja em termos políticos, sócio-econômicos, culturais e educacionais. E com certeza, ainda tenho traços horrorosos em meu caráter de estar sempre apontando aquilo que não gosto, às vezes até martelando em ferro e em fogo.
Minha formação acadêmica inicial foi numa linha eclética, mas eu me identifiquei mais com teorias fundadas na dialética marxista. Por exemplo, em termos de educação, dentro de um horizonte dialético mas com peculiaridades ideológicas próprias a cada autor, eu construí minha cosmovisão com leituras de Paulo Freire, Moacir Gadotti, Dermeval Saviani, Antonio Gramsci, Louis Althusser, Pierre Bordieu, Florestan Fernandes, Jefferson Ildefonso da Silva, Marilena Chaui e Jean Paul Sartre (linhas, fundamentos e estratégias diferentes mas todos num mesmo horizonte dialético). Todos me auxiliaram a observar a realidade a partir do conceito de unidade dialética, em que uma unidade é construída a partir de dois antagonistas que são gerados um pelo outro, assim as unidades escravizador-escravo, capitalismo-socialismo, pai-filho. Só na interdependência eu conseguia interpretar os fenômenos que observava; sempre procurando compreender a realidade numa complexidade profunda de dialeticidade a partir da estrutura social capitalista formada pela burguesia e pelo proletariado, pelos meios de produção e a força de trabalho. E de tudo me marcou muito uma fala de Paulo Freire, "a gente tem que saber contra quem a gente luta e a favor de quem a gente luta". O processo de consciência política ensejado por Freire foi para mim vivenciado a partir disso, o que eu renegava, o que eu defendia. E assim dirigi minha combatividade sempre expressa publicamente, em aulas, em palestras, em movimentos grevistas. Procurava sempre ter uma grande coerência entre em quem eu votava, quem eu lia, quem subsidiava meu arcabouço teorico, como estabelecia contato com o mundo e com as pessoas. Evidentemente que minha assertividade gerava conflitos enormes, e ou eu era amada ou era odiada, tendo em vista os fronts ideologicos. Lembro-me claramente em uma eleiçao em Santos em que os candidatos Telma de Souza e Joao Paulo Tavares Papa estavam em embate e a escola particular onde eu lecionava estava divididissima, pro e contra um e outro. Na manha seguinte às eleiçoes, ao adentrar a escola, apos a derrota da minha candidata, havia um clima de vitoria para alguns e tristeza para outros, eu incluida. Ao ser abordada por uma defensora do candidato vencedor com um "Bom dia!", eu respondi azeda "Nao vejo nada de bom hoje!". Eu sabia exatamente contra quais projetos sociais, politicos, economicos, culturais e educacionais eu lutava e quais eu defendia, e com isso eu restringia meu olhar sendo mal educada com outro ser humano, o qual eu nao via, apenas enxergava uma inimiga politica. Via as pessoas na "pretensa" claridade de suas posiçoes. Esquecia também o que Freire dizia: "todo oprimido carrega um opressor dentro de si". Eu me postava ao lado dos que eu pensava como oprimidos, pobres, desvalidos, politizados conscientemente, esclarecidos e justos. Eera o auge da minha visao turva que nao observava a complexidade das subjetividades que nao poderiam ser meramente classificadas ideologicamente. Claro que nao invalido minha concepçao dialética inicial, mas hoje nao observo as pessoas apenas na dimensao da unidade dialética infraestrutura-superestrutura.
Quando tive a oportunidade de ser Coordenadora na mesma escola junto a tres maravilhosos colegas de trabalho, hoje meu amigos, fui renegada por pessoas que militavam comigo na linha dialética ha anos; era como se eu tivesse renegado minhas crenças anteriores e tivesse mudado de lado. Transpunha-se para a escola os embates ideologicos do dia-a-dia. Meu maior exercicio naquela funçao foi nao permitir que o opressor em mim se manifestasse, que eu pudesse destruir a unidade dialética opressor-oprimido, e passar a viver de maneira mais humanizada com tudo e com todos, evitando apenas tentar impor minhas ideias e passando a considerar também outros pontos de vista. O resultado foi que eu me abri mais para o permear de ideias aparentemente inconciliaveis em teorias que se liam como puras ideologicamente. Meus estudos ulteriores permitiram encontrar, por exemplo, John Dewey em Paulo Freire (um liberal e um dialético marxista); assim como entre colegas de trabalho encontrei pessoas ditas "tradicionais" que faziam belissimos trabalhos pedagogicos, e professores modernos com atitudes jurassicas. Eu passei a ver coisas que para mim, antes, eram impossiveis. Me humanizei na Coordenaçao. Foram so quatro anos mas o suficiente para eu saber que eu era mais pretensiosa intelectualmente do que competente na vivencia humana.
Os ultimos nove anos de minha carreira foram radicalmente diferentes dos primeiros 17. Se antes a minha preocupaçao era sempre a critica e a consequente proposta da imposiçao de um ideal radical, agora eu pensava em ter a critica apenas como a base da minha analise inicial, mas o foco era na construçao de uma alternativa às açoes anteriores sem renega-las totalmente mas as alimentando com novas perspectivas.
Ser mais proativa, dar mais e melhor de mim, olhar o outro em sua humanidade, confiar mais nos processos individuais que se imiscuem no emaranhando socio-economico-cultural. Saber mais acerca da variedade de caminhos e por isso mesmo nao impor nada a ninguém; evidentemente que nao sendo alguém sem perspectivas futuras ou sem bases fundamentais. Eu ainda sei que mundo eu desejo e pelo qual luto diariamente para construir dentro e fora de mim, mas ja sem a grande ideia de destruir o mundo que nao aceito.
E daí eu comecei a pensar que grande parte da minha vida eu levantei bandeiras contra isso e contra aquilo, seja em termos políticos, sócio-econômicos, culturais e educacionais. E com certeza, ainda tenho traços horrorosos em meu caráter de estar sempre apontando aquilo que não gosto, às vezes até martelando em ferro e em fogo.
Minha formação acadêmica inicial foi numa linha eclética, mas eu me identifiquei mais com teorias fundadas na dialética marxista. Por exemplo, em termos de educação, dentro de um horizonte dialético mas com peculiaridades ideológicas próprias a cada autor, eu construí minha cosmovisão com leituras de Paulo Freire, Moacir Gadotti, Dermeval Saviani, Antonio Gramsci, Louis Althusser, Pierre Bordieu, Florestan Fernandes, Jefferson Ildefonso da Silva, Marilena Chaui e Jean Paul Sartre (linhas, fundamentos e estratégias diferentes mas todos num mesmo horizonte dialético). Todos me auxiliaram a observar a realidade a partir do conceito de unidade dialética, em que uma unidade é construída a partir de dois antagonistas que são gerados um pelo outro, assim as unidades escravizador-escravo, capitalismo-socialismo, pai-filho. Só na interdependência eu conseguia interpretar os fenômenos que observava; sempre procurando compreender a realidade numa complexidade profunda de dialeticidade a partir da estrutura social capitalista formada pela burguesia e pelo proletariado, pelos meios de produção e a força de trabalho. E de tudo me marcou muito uma fala de Paulo Freire, "a gente tem que saber contra quem a gente luta e a favor de quem a gente luta". O processo de consciência política ensejado por Freire foi para mim vivenciado a partir disso, o que eu renegava, o que eu defendia. E assim dirigi minha combatividade sempre expressa publicamente, em aulas, em palestras, em movimentos grevistas. Procurava sempre ter uma grande coerência entre em quem eu votava, quem eu lia, quem subsidiava meu arcabouço teorico, como estabelecia contato com o mundo e com as pessoas. Evidentemente que minha assertividade gerava conflitos enormes, e ou eu era amada ou era odiada, tendo em vista os fronts ideologicos. Lembro-me claramente em uma eleiçao em Santos em que os candidatos Telma de Souza e Joao Paulo Tavares Papa estavam em embate e a escola particular onde eu lecionava estava divididissima, pro e contra um e outro. Na manha seguinte às eleiçoes, ao adentrar a escola, apos a derrota da minha candidata, havia um clima de vitoria para alguns e tristeza para outros, eu incluida. Ao ser abordada por uma defensora do candidato vencedor com um "Bom dia!", eu respondi azeda "Nao vejo nada de bom hoje!". Eu sabia exatamente contra quais projetos sociais, politicos, economicos, culturais e educacionais eu lutava e quais eu defendia, e com isso eu restringia meu olhar sendo mal educada com outro ser humano, o qual eu nao via, apenas enxergava uma inimiga politica. Via as pessoas na "pretensa" claridade de suas posiçoes. Esquecia também o que Freire dizia: "todo oprimido carrega um opressor dentro de si". Eu me postava ao lado dos que eu pensava como oprimidos, pobres, desvalidos, politizados conscientemente, esclarecidos e justos. Eera o auge da minha visao turva que nao observava a complexidade das subjetividades que nao poderiam ser meramente classificadas ideologicamente. Claro que nao invalido minha concepçao dialética inicial, mas hoje nao observo as pessoas apenas na dimensao da unidade dialética infraestrutura-superestrutura.
Quando tive a oportunidade de ser Coordenadora na mesma escola junto a tres maravilhosos colegas de trabalho, hoje meu amigos, fui renegada por pessoas que militavam comigo na linha dialética ha anos; era como se eu tivesse renegado minhas crenças anteriores e tivesse mudado de lado. Transpunha-se para a escola os embates ideologicos do dia-a-dia. Meu maior exercicio naquela funçao foi nao permitir que o opressor em mim se manifestasse, que eu pudesse destruir a unidade dialética opressor-oprimido, e passar a viver de maneira mais humanizada com tudo e com todos, evitando apenas tentar impor minhas ideias e passando a considerar também outros pontos de vista. O resultado foi que eu me abri mais para o permear de ideias aparentemente inconciliaveis em teorias que se liam como puras ideologicamente. Meus estudos ulteriores permitiram encontrar, por exemplo, John Dewey em Paulo Freire (um liberal e um dialético marxista); assim como entre colegas de trabalho encontrei pessoas ditas "tradicionais" que faziam belissimos trabalhos pedagogicos, e professores modernos com atitudes jurassicas. Eu passei a ver coisas que para mim, antes, eram impossiveis. Me humanizei na Coordenaçao. Foram so quatro anos mas o suficiente para eu saber que eu era mais pretensiosa intelectualmente do que competente na vivencia humana.
Os ultimos nove anos de minha carreira foram radicalmente diferentes dos primeiros 17. Se antes a minha preocupaçao era sempre a critica e a consequente proposta da imposiçao de um ideal radical, agora eu pensava em ter a critica apenas como a base da minha analise inicial, mas o foco era na construçao de uma alternativa às açoes anteriores sem renega-las totalmente mas as alimentando com novas perspectivas.
Ser mais proativa, dar mais e melhor de mim, olhar o outro em sua humanidade, confiar mais nos processos individuais que se imiscuem no emaranhando socio-economico-cultural. Saber mais acerca da variedade de caminhos e por isso mesmo nao impor nada a ninguém; evidentemente que nao sendo alguém sem perspectivas futuras ou sem bases fundamentais. Eu ainda sei que mundo eu desejo e pelo qual luto diariamente para construir dentro e fora de mim, mas ja sem a grande ideia de destruir o mundo que nao aceito.
giovedì 19 luglio 2012
21.12.2012 - uma nova era se anuncia?
Sao inumeras as informaçoes acerca da data 21.12.2012. Para muito fatalistas e mensageiros da desgraça, tal data, fundada em famoso Calendario Maia, marcaria o fim do mundo, o que, alias, em tantissimos outros momentos planetarios ja foi anunciado. O que alguns estudiosos sérios afirmam é que os Maias utilizavam o calendario dos Toltecas e que seu conteudo indica uma nova era que se anuncia.
Numa entrevista com a Dra. Marlene Rossi Severino Nobre a ser conferida no endereço https://www.youtube.com/watch?v=_YPkw7_uWKc&feature=results_main&playnext=1&list=PL9003DDE78D0F16F9, encontrei revelaçoes de Chico Xavier que se coadunam perfeitamente com tantos falares de esotéricos e exotéricos, bem como da arqueoufologia e dos textos sagrados de origens oriental e ocidental, desde que se queira assim interpretar. Apesar da entrevista ter gerado muita polemica, eu confio plenamente na lucidez da Dra. Marlene Nobre e penso que ela sintetiza maravilhosamente em poucas palavras uma leitura providencial acerca da data que nos traz mais responsabilidade pessoal e coletiva, bem como tranquiliza muitos coraçoes.
Para alguns a divulgaçao do calendario maia é mais uma sacada para vendas de livros e manter assustadas as pessoas que se sentem inseguras; enquanto para outros é um momento alvissareiro.
Penso que de tudo que se fala e que se discute, o mais importante é o que tudo isso gera dentro de nos em termos de pensamento, compreensao, de colaboraçao para nosso aprimoramento enquanto pessoas, para a revisitaçao dos valores que elegemos como fundamentais em nossas vidas.
Para mim nao importa tanto se acaba ou se transforma algo no planeta Terra em 2012, em 2019 ou até 2050. Primeiro porque nao creio na morte, apenas no abandono dos corpos mais materializados, entao isso ha de ocorrer em qualquer momento e nao apenas numa suposta data marcada. Segundo porque qualquer coisa que aconteça so acontecera para quem estiver lucido o suficiente para interpretar; e ainda assim ocorrerao inumeras interpretaçoes, afinal somos nos, cada um de nos, que criamos a realidade segundo nossa concepçao consciente ou nao. Terceiro porque com o fim ou apenas com uma transformaçao nada se dara para mim se eu nao estiver compativel com o que ocorrer.
Caso acabasse algo ou houvesse uma destruiçao imensa, a tarefa de quem sobrevivesse seria trabalhar pela reconstruçao, seria colaborar com atitudes e pensamentos positivos para a realizaçao da solidariedade, da compreensao e da vivencia do amor enquanto estado consciencial. Sobreviver a um cataclisma é uma prova de trabalho numa entrega total que, no momento atual, a maioria de nos sequer experimentou algum dia e que podemos ver exemplificado na atutide denodada dos japoneses.
De qualquer maneira, como pensa Marlene Nobre, o que se dara, sera consequencia das atitudes dos povos da Terra; se agirmos de forma destemperada entre nos em escala pessoal e em escala socio-politica, ou ainda com relaçao aos recursos e usos desatinados da fauna, da flora e das reservas geologicas, é evidente que se anunciara um colapso que gerara um grande sofrimento. Nao ha determinismos galacticos para a Terra, tudo depende de nossas atitudes, afinal nao vivemos apenas num orbe fisico mas também em sua atmosfera psiquica; e ja que todos fazemos parte de uma grande unidade, mudando a nos mesmos e ao nosso entorno estaremos auxiliando a mudar tudo e todos. Penso na teoria do campo morfogenético de Rupert Sheldrake, em que um individuo ao praticar um determinado ato acaba por influenciar os demais de sua espécie e que, ao repetirem inumeras vezes o mesmo ato, acabam por determinar mudanças em outros individuos da mesma espécie, ainda que distantes fisicamente do local da açao inicial. Com tal teoria eu poderia hipotetizar que ao procurarmos renovar nossas formas de viver, de pensar, de sentir e amar, poderiamos colaborar com mudanças significativas para a espécie humana em que seus individuos-massa tem vivido como replicantes inconscientes de uma megamatrix. Assim, no anonimato, no silencio de nossas casas, na intimidade de nosso ser, ao elegermos transformaçoes em nos mesmos, poderiamos promover mudanças em nossos irmaos humanos a partir da nossa decisao em nao repetirmos os modelos baseados no egoismo, no individualismo, na prepotencia, na ansia por ter sempre e cada vez mais, no desejo de consumir tudo e todos até o exaurimento de nossas forças.
Muito ja se pesquisa em termos de como oraçoes e pensamentos positivos influenciam a superaçao de estados fisicos e mentais doentios em nos mesmos e nas pessoas às quais nos dedicamos. Penso que dai se podem tirar sustentaculos para justificar incursoes por sendas que ainda que pareçam pequenas e de pouco alcance, possam colaborar para evitar o colapso humano no planeta.
Um parente meu, Mario, ja dessomado, sempre me dizia que todos os dias, às seis horas da tarde ele orava pelo planeta Terra e todos os seus habitantes, e, influenciada por ele, eu incluo em minhas oraçoes algo similar, que nao se restrinja a uma oraçao apenas de pedinte, mas de alguem que doa visoes maravilhosas de paz e amor, saude e prosperidade para todos os homens, seres e reinos da natureza, da terra e dos universos.
Se cabe algo acerca de 21.12.2012, é a necessidade de realizarmos em nos a nova era, de nos prepararmos para a paz e para a guerra, para o amor e para o odio com a construçao de santuarios internos, em nosso imo, para sermos uteis ao mundo, com oraçoes e novas atitudes, seja la como ele for.
Numa entrevista com a Dra. Marlene Rossi Severino Nobre a ser conferida no endereço https://www.youtube.com/watch?v=_YPkw7_uWKc&feature=results_main&playnext=1&list=PL9003DDE78D0F16F9, encontrei revelaçoes de Chico Xavier que se coadunam perfeitamente com tantos falares de esotéricos e exotéricos, bem como da arqueoufologia e dos textos sagrados de origens oriental e ocidental, desde que se queira assim interpretar. Apesar da entrevista ter gerado muita polemica, eu confio plenamente na lucidez da Dra. Marlene Nobre e penso que ela sintetiza maravilhosamente em poucas palavras uma leitura providencial acerca da data que nos traz mais responsabilidade pessoal e coletiva, bem como tranquiliza muitos coraçoes.
Para alguns a divulgaçao do calendario maia é mais uma sacada para vendas de livros e manter assustadas as pessoas que se sentem inseguras; enquanto para outros é um momento alvissareiro.
Penso que de tudo que se fala e que se discute, o mais importante é o que tudo isso gera dentro de nos em termos de pensamento, compreensao, de colaboraçao para nosso aprimoramento enquanto pessoas, para a revisitaçao dos valores que elegemos como fundamentais em nossas vidas.
Para mim nao importa tanto se acaba ou se transforma algo no planeta Terra em 2012, em 2019 ou até 2050. Primeiro porque nao creio na morte, apenas no abandono dos corpos mais materializados, entao isso ha de ocorrer em qualquer momento e nao apenas numa suposta data marcada. Segundo porque qualquer coisa que aconteça so acontecera para quem estiver lucido o suficiente para interpretar; e ainda assim ocorrerao inumeras interpretaçoes, afinal somos nos, cada um de nos, que criamos a realidade segundo nossa concepçao consciente ou nao. Terceiro porque com o fim ou apenas com uma transformaçao nada se dara para mim se eu nao estiver compativel com o que ocorrer.
Caso acabasse algo ou houvesse uma destruiçao imensa, a tarefa de quem sobrevivesse seria trabalhar pela reconstruçao, seria colaborar com atitudes e pensamentos positivos para a realizaçao da solidariedade, da compreensao e da vivencia do amor enquanto estado consciencial. Sobreviver a um cataclisma é uma prova de trabalho numa entrega total que, no momento atual, a maioria de nos sequer experimentou algum dia e que podemos ver exemplificado na atutide denodada dos japoneses.
De qualquer maneira, como pensa Marlene Nobre, o que se dara, sera consequencia das atitudes dos povos da Terra; se agirmos de forma destemperada entre nos em escala pessoal e em escala socio-politica, ou ainda com relaçao aos recursos e usos desatinados da fauna, da flora e das reservas geologicas, é evidente que se anunciara um colapso que gerara um grande sofrimento. Nao ha determinismos galacticos para a Terra, tudo depende de nossas atitudes, afinal nao vivemos apenas num orbe fisico mas também em sua atmosfera psiquica; e ja que todos fazemos parte de uma grande unidade, mudando a nos mesmos e ao nosso entorno estaremos auxiliando a mudar tudo e todos. Penso na teoria do campo morfogenético de Rupert Sheldrake, em que um individuo ao praticar um determinado ato acaba por influenciar os demais de sua espécie e que, ao repetirem inumeras vezes o mesmo ato, acabam por determinar mudanças em outros individuos da mesma espécie, ainda que distantes fisicamente do local da açao inicial. Com tal teoria eu poderia hipotetizar que ao procurarmos renovar nossas formas de viver, de pensar, de sentir e amar, poderiamos colaborar com mudanças significativas para a espécie humana em que seus individuos-massa tem vivido como replicantes inconscientes de uma megamatrix. Assim, no anonimato, no silencio de nossas casas, na intimidade de nosso ser, ao elegermos transformaçoes em nos mesmos, poderiamos promover mudanças em nossos irmaos humanos a partir da nossa decisao em nao repetirmos os modelos baseados no egoismo, no individualismo, na prepotencia, na ansia por ter sempre e cada vez mais, no desejo de consumir tudo e todos até o exaurimento de nossas forças.
Muito ja se pesquisa em termos de como oraçoes e pensamentos positivos influenciam a superaçao de estados fisicos e mentais doentios em nos mesmos e nas pessoas às quais nos dedicamos. Penso que dai se podem tirar sustentaculos para justificar incursoes por sendas que ainda que pareçam pequenas e de pouco alcance, possam colaborar para evitar o colapso humano no planeta.
Um parente meu, Mario, ja dessomado, sempre me dizia que todos os dias, às seis horas da tarde ele orava pelo planeta Terra e todos os seus habitantes, e, influenciada por ele, eu incluo em minhas oraçoes algo similar, que nao se restrinja a uma oraçao apenas de pedinte, mas de alguem que doa visoes maravilhosas de paz e amor, saude e prosperidade para todos os homens, seres e reinos da natureza, da terra e dos universos.
Se cabe algo acerca de 21.12.2012, é a necessidade de realizarmos em nos a nova era, de nos prepararmos para a paz e para a guerra, para o amor e para o odio com a construçao de santuarios internos, em nosso imo, para sermos uteis ao mundo, com oraçoes e novas atitudes, seja la como ele for.
mercoledì 18 luglio 2012
Il Vittoriale
Na semana passada estive fazendo uma segunda visita ao Vittoriale, a casa-obra-vida-poesia de Gabrielle d'Annunzio, o soldato poeta italiano; belissimo local a ser conferido no sitio www.vittoriale.it pelos interessados.
Durante o passeio, fui inspirada a refletir sobre tudo aquilo que ouvia e observava a partir das explicaçoes da guia. Fui assomada por grande emoçao que ainda me comove agora. A casa foi adquirida por Gabrielle e constituida como Cittadella monumentale entre 1921 e 1938. La Prioria ou La Fabbrica, compreendendo a casa, é um poema e uma declaraçao de propositos quanto à vida e sua propria obra pessoal. Os jardins completam sua assinatura, e, dai para frente, ainda museu e anfiteatro criados apos sua morte, mas com sua projeçao ainda em vida.
Grande poeta, amante, politico e soldado, Gabrielle marcou sua vida por cultivar grandes paixoes e construir a expressao de sua obra por simbolos fortes que remontam à Antiguidade Greco-romana, à figura de Michelangelo Buonarroti e à Friedrich Nietzsche e sua proposiçao do superhomem, o além do homem, o qual transcende o animal e o homem por meio da vontade de potencia.
Rituais de homenagens e juramentos sao recordados nos jardins como meio de sinalizar que as ideias necessitam ser mantidas à vista e veneradas. Estar sempre em conexao e expressao de seu proprio fervoroso credo humano. Ele escreve que "A saudade é o alimento vão de um espírito desocupado. É preciso, acima de tudo, evitar a saudade ocupando sempre o espírito com novas sensações e novas imaginações." E sua obra-casa-moumento é a representaçao dessa ideia. Tudo, em cada pequeno detalhe é o dizer de seu pensar, de seu sentir; nao ha espaço em que nao haja um objeto, uma frase, um livro, uma cor, uma disposiçao de moveis e paredes; sempre com a clara intençao de provocar a reflexao do observador que o frequentava, bem como dos seus atuais hospedes fugazes, os visitantes do complexo monumental. Pensar nas suas e nas nossas condiçoes atuais, nas vias de acesso à uma vida plena de significados, nos entrecruzamentos sacro-profanos, nas possibilidades de conciliaçao religiosa oriente-ocidente.
Apesar de d'Annunzio ter um gosto pelo supérfluo, pela vida faustosa e requintada, pelo exagero de signos e simbolos, sua atitude firme em cumprir o plano de registrar seu pensamento e sua obra exteriormente me interessam. Penso sempre que devemos amealhar signos com seus significantes e seus significados para melhor dizermos de nos mesmos, sendo mais conscientes nessa expressao, ja que inconscientemente o fazemos sempre.
Como nos vestimos, o que comemos, a quem veneramos, o que lemos, o que bebemos, onde vamos, o que fazemos profissionalmente, a quem amamos, onde e como descansamos, como moramos, sao sinais para o mundo dizendo quem somos, qual nossa cosmovisao e nossos projetos de inserçao. Uma observaçao atenta permite identificar os indicios e nos auxiliam a conhecer e a escolher nossos pares na vida, assim como eles com referencia à nos.
Pode dizer-se que o exterior vez ou outra esconde o interior mas eu penso que, de qualquer maneira, o ser se manifesta no ente, que a expressao sensivel acaba por revelar as intençoes internas, as essencias que sustentam a realizaçao no mundo de quem se é, numa maneira heideggeriana de ver. Aquilo que se é sempre se manifesta, nem que seja por um ato falho freudiano.
Também pode pensar-se que ao ostentar signos a pessoa se esforça a expressar a realizaçao de um ideario que se esboça como desejo, que se reforça pela exterioridade para confirmar o proposito de mudança, de assunçao de um novo caminho.
Assim diz-se que os mitos precisam de ritos para serem lembrados, recordados, para se presentificarem para seus postulantes. Assim uma vida, ainda que em sua obscuridade, em sua condiçao anonima, se reveste de sinais a personificarem, para a pessoa mesma e para um possivel observador ou partilhante, seus mais caros compromissos de alma.
Ritualizar e assinalar foram marcas da representaçao da obra d'Annunziana e penso que também para nos, que nao somos homens de genio, seria importante fazer da vida uma arte expressiva de nosso sentir-pensar.
Durante o passeio, fui inspirada a refletir sobre tudo aquilo que ouvia e observava a partir das explicaçoes da guia. Fui assomada por grande emoçao que ainda me comove agora. A casa foi adquirida por Gabrielle e constituida como Cittadella monumentale entre 1921 e 1938. La Prioria ou La Fabbrica, compreendendo a casa, é um poema e uma declaraçao de propositos quanto à vida e sua propria obra pessoal. Os jardins completam sua assinatura, e, dai para frente, ainda museu e anfiteatro criados apos sua morte, mas com sua projeçao ainda em vida.
Grande poeta, amante, politico e soldado, Gabrielle marcou sua vida por cultivar grandes paixoes e construir a expressao de sua obra por simbolos fortes que remontam à Antiguidade Greco-romana, à figura de Michelangelo Buonarroti e à Friedrich Nietzsche e sua proposiçao do superhomem, o além do homem, o qual transcende o animal e o homem por meio da vontade de potencia.
Rituais de homenagens e juramentos sao recordados nos jardins como meio de sinalizar que as ideias necessitam ser mantidas à vista e veneradas. Estar sempre em conexao e expressao de seu proprio fervoroso credo humano. Ele escreve que "A saudade é o alimento vão de um espírito desocupado. É preciso, acima de tudo, evitar a saudade ocupando sempre o espírito com novas sensações e novas imaginações." E sua obra-casa-moumento é a representaçao dessa ideia. Tudo, em cada pequeno detalhe é o dizer de seu pensar, de seu sentir; nao ha espaço em que nao haja um objeto, uma frase, um livro, uma cor, uma disposiçao de moveis e paredes; sempre com a clara intençao de provocar a reflexao do observador que o frequentava, bem como dos seus atuais hospedes fugazes, os visitantes do complexo monumental. Pensar nas suas e nas nossas condiçoes atuais, nas vias de acesso à uma vida plena de significados, nos entrecruzamentos sacro-profanos, nas possibilidades de conciliaçao religiosa oriente-ocidente.
Apesar de d'Annunzio ter um gosto pelo supérfluo, pela vida faustosa e requintada, pelo exagero de signos e simbolos, sua atitude firme em cumprir o plano de registrar seu pensamento e sua obra exteriormente me interessam. Penso sempre que devemos amealhar signos com seus significantes e seus significados para melhor dizermos de nos mesmos, sendo mais conscientes nessa expressao, ja que inconscientemente o fazemos sempre.
Como nos vestimos, o que comemos, a quem veneramos, o que lemos, o que bebemos, onde vamos, o que fazemos profissionalmente, a quem amamos, onde e como descansamos, como moramos, sao sinais para o mundo dizendo quem somos, qual nossa cosmovisao e nossos projetos de inserçao. Uma observaçao atenta permite identificar os indicios e nos auxiliam a conhecer e a escolher nossos pares na vida, assim como eles com referencia à nos.
Pode dizer-se que o exterior vez ou outra esconde o interior mas eu penso que, de qualquer maneira, o ser se manifesta no ente, que a expressao sensivel acaba por revelar as intençoes internas, as essencias que sustentam a realizaçao no mundo de quem se é, numa maneira heideggeriana de ver. Aquilo que se é sempre se manifesta, nem que seja por um ato falho freudiano.
Também pode pensar-se que ao ostentar signos a pessoa se esforça a expressar a realizaçao de um ideario que se esboça como desejo, que se reforça pela exterioridade para confirmar o proposito de mudança, de assunçao de um novo caminho.
Assim diz-se que os mitos precisam de ritos para serem lembrados, recordados, para se presentificarem para seus postulantes. Assim uma vida, ainda que em sua obscuridade, em sua condiçao anonima, se reveste de sinais a personificarem, para a pessoa mesma e para um possivel observador ou partilhante, seus mais caros compromissos de alma.
Ritualizar e assinalar foram marcas da representaçao da obra d'Annunziana e penso que também para nos, que nao somos homens de genio, seria importante fazer da vida uma arte expressiva de nosso sentir-pensar.
martedì 17 luglio 2012
Agradecer sempre, à tudo e à todos
Tenho uma querida amiga, Celi Lopes de Moraes, a quem eu amo muito em virtude de suas maravilhosas qualidades, especialmente pela maneira como se relaciona com as pessoas, sempre numa atitude de extremo carinho. Ela é daquele tipo que empreende muitos esforços na busca do autoconhecimento e do aprimoramente de sua espiritualidade. Ela para mim é modelar, personificando um parametro de como se dirigir na vida.
Uma das coisas que sempre me vem à memoria sao as situaçoes em que, por meio de gestos declarados ou atitudes silenciosas, ela exemplificou o agradecimento, algo aprendido na filosofia Seicho-No-Ie, "lar do progredir infinito". Uma imagem muito presente em mim é a da Celi, durante uma caminhanda na cidade paulista de Marilia, acariciar uma linda flor, um hibiscus, e agradecer por sua existencia e sua beleza. Foi uma cena muito comovente, e nao havia ninguém por ali além de mim. Algo espontaneo e que foi uma demonstraçao de profunda comunhao com o universo.
Ontem eu estava em uma montanha na altitude de 1750 metros e senti profundamente o agradecer ao universo por ter à minha vista um horizonte imenso de cadeias de montanhas e a exuberancia de um céu absurdamente azul pleno de nuvens brancas maciças. Falcoes que voavam, asas deltas que se arrojavam dos picos, um vento frio em meio aos raios solares causticantes. O silencio do humano existir em meio aos sons da natureza que existe independente de nos, e ao que parece, esta muito bem assim. Agradecer por estar ali, por tudo aquilo existir, por participar daquele momento.
Cultivar o habito mental da gratidao à todas as coisas do universo, mesmo que nao expressa em palavras, cria um novo padrao de relacionamento com tudo e com todos, gerando sentimentos, ajuizamentos e atitudes de empatia, de generosidade e de solidariedade.
Celi sempre faz o agradecimento aos ancestrais que lhe deram a oportunidade da vida biologica, da inserçao cultural, da base inicial para a manutençao financeira e do apoio emocional generoso e gratuito. Mas também agradece aos que passaram por sua vida e lhe deixaram marcas de tristeza e de decepçao entendendo que todos contribuiram para seu desenvolvimento.
As situaçoes para a pratica do agradecimento sao inumeras e constantes. Muito facil ser grato pela presença de pessoas agradaveis e simpaticas. Agradecer sinceramente os eventos positivos também é algo quase automatico. Mas, em se tratando, por exemplo, de parentes, amigos ou colegas de trabalho que incomodam com sua agressividade verbal ou atitudinal, sua ingratidao ou seu desrespeito, ai o "bicho pega"! Pessoas e situaçoes negativas sao nossos melhores orientadores e educadores; servem como estimulo para observarmos nossas piores atitudes, pensamentos e sentimentos, todos projetados e que, se nos incomodam, é porque ainda sao presentes em nos mesmos e espelhados no outro.
Eu ainda vivo na dificuldade de agradecer sempre, à tudo e à todos; tenho que ficar na vigilancia constante das minhas emissoes de energia. Na medida em que vou pensando sobre certas coisas e determinadas pessoas, sinto uma inicial supremacia das emoçoes primitivas que atingem meu ego, ferindo o orgulho e a vaidade, atingindo a autoestima. Depois, ao perceber conscientemente o que sucede, passo a tentar ao menos praticar o Ho'Oponopono e compreender com clareza os moveis que dirigem as açoes do outro ou o contexto que compoe o fato que me atinge. Pouco a pouco vou percebendo que os periodos de ira e indignaçao sao sempre menores e que de algum modo ha uma modificaçao na minha maneira de observar os desafetos, transcendendo o mero julgamento para uma tentativa de compreensao.
Estou longe da atitude ideal, mas penso que aumento gradativamente meu agradecimento por tudo que se manifesta em minha vida, com certeza para burilar meu temperamento selvagem e conduzir-me para uma transcendencia.
Ter amigos e pessoas representativas como emulos no sentido do estimulo é algo fundamental para nos instigar o desejo de superarmos nossos padroes viciosos de pensar e agir.
Eu agradeço profundamente à todos os meus mestres visiveis e invisiveis, sejam orientadores e educadores, sejam parentes e amigos, aos avatares todos do Universo e aos contextos urbanos e naturais para os quais fui encaminhada.
Uma das coisas que sempre me vem à memoria sao as situaçoes em que, por meio de gestos declarados ou atitudes silenciosas, ela exemplificou o agradecimento, algo aprendido na filosofia Seicho-No-Ie, "lar do progredir infinito". Uma imagem muito presente em mim é a da Celi, durante uma caminhanda na cidade paulista de Marilia, acariciar uma linda flor, um hibiscus, e agradecer por sua existencia e sua beleza. Foi uma cena muito comovente, e nao havia ninguém por ali além de mim. Algo espontaneo e que foi uma demonstraçao de profunda comunhao com o universo.
Ontem eu estava em uma montanha na altitude de 1750 metros e senti profundamente o agradecer ao universo por ter à minha vista um horizonte imenso de cadeias de montanhas e a exuberancia de um céu absurdamente azul pleno de nuvens brancas maciças. Falcoes que voavam, asas deltas que se arrojavam dos picos, um vento frio em meio aos raios solares causticantes. O silencio do humano existir em meio aos sons da natureza que existe independente de nos, e ao que parece, esta muito bem assim. Agradecer por estar ali, por tudo aquilo existir, por participar daquele momento.
Cultivar o habito mental da gratidao à todas as coisas do universo, mesmo que nao expressa em palavras, cria um novo padrao de relacionamento com tudo e com todos, gerando sentimentos, ajuizamentos e atitudes de empatia, de generosidade e de solidariedade.
Celi sempre faz o agradecimento aos ancestrais que lhe deram a oportunidade da vida biologica, da inserçao cultural, da base inicial para a manutençao financeira e do apoio emocional generoso e gratuito. Mas também agradece aos que passaram por sua vida e lhe deixaram marcas de tristeza e de decepçao entendendo que todos contribuiram para seu desenvolvimento.
As situaçoes para a pratica do agradecimento sao inumeras e constantes. Muito facil ser grato pela presença de pessoas agradaveis e simpaticas. Agradecer sinceramente os eventos positivos também é algo quase automatico. Mas, em se tratando, por exemplo, de parentes, amigos ou colegas de trabalho que incomodam com sua agressividade verbal ou atitudinal, sua ingratidao ou seu desrespeito, ai o "bicho pega"! Pessoas e situaçoes negativas sao nossos melhores orientadores e educadores; servem como estimulo para observarmos nossas piores atitudes, pensamentos e sentimentos, todos projetados e que, se nos incomodam, é porque ainda sao presentes em nos mesmos e espelhados no outro.
Eu ainda vivo na dificuldade de agradecer sempre, à tudo e à todos; tenho que ficar na vigilancia constante das minhas emissoes de energia. Na medida em que vou pensando sobre certas coisas e determinadas pessoas, sinto uma inicial supremacia das emoçoes primitivas que atingem meu ego, ferindo o orgulho e a vaidade, atingindo a autoestima. Depois, ao perceber conscientemente o que sucede, passo a tentar ao menos praticar o Ho'Oponopono e compreender com clareza os moveis que dirigem as açoes do outro ou o contexto que compoe o fato que me atinge. Pouco a pouco vou percebendo que os periodos de ira e indignaçao sao sempre menores e que de algum modo ha uma modificaçao na minha maneira de observar os desafetos, transcendendo o mero julgamento para uma tentativa de compreensao.
Estou longe da atitude ideal, mas penso que aumento gradativamente meu agradecimento por tudo que se manifesta em minha vida, com certeza para burilar meu temperamento selvagem e conduzir-me para uma transcendencia.
Ter amigos e pessoas representativas como emulos no sentido do estimulo é algo fundamental para nos instigar o desejo de superarmos nossos padroes viciosos de pensar e agir.
Eu agradeço profundamente à todos os meus mestres visiveis e invisiveis, sejam orientadores e educadores, sejam parentes e amigos, aos avatares todos do Universo e aos contextos urbanos e naturais para os quais fui encaminhada.
martedì 10 luglio 2012
Ideias, idearios e ideais
Ideias, idearios e ideais sao palavras que se assemelham mas que sao portadores de diferentes significados. Ideias sao construtos mentais que, portadores de significados, traduzem o mundo criado por nos numa construçao interativa cérebro-mente-objetos abstratos e concretos, mediada sempre pela linguagem em situaçoes de associaçoes com pessoas, coisas e situaçoes. As idéias se constituem em conceitos abstratos e imagens, sons e sensaçoes que num amontoado amealhado pelo contato com o mundo e armazenado a partir da memoria estereognostica, se constroem em corpos organizados. Penso que é algo como Kant permitia pensar. A Razao (eu penso Espirito, Mente, Individualidade) pode construir seus juizos puramente abstratos mas em numero bem reduzido, como os matematicos ou geométricos com validade universal (mas eu penso ainda que limitados em determinados contextos relativos). Mas ha os juizos sintéticos a priori e os a posteriori. Os juizos sintéticos dependem do contato da Razao com a Experiencia, o mundo mental com o mundo material. Sem contato com o mundo o homem nao pode pensar. O isolamento da experiencia empirica deixaria o homem entregue às vicissitudes cotidianas e à sequencia de eventos sem maiores ilaçoes e juizos. Para ajuizar o homem utiliza a razao e passa a organizar sua experiencia criando categorias novas ou utilizando categorias a priori que determinam previamente sua visao de mundo (formas de ver, de pensar, de sentir, ou seja, limites fisico-organicos e cognitivos). Vou formando ideias a partir das experiencias em interaçao com outros seres e com o mundo em geral; ideias que nao serao perenes, mas que estarao sempre em transformaçao dependendo da minha abertura para reconstrui-las.
As ideias sao bases para os ideais e para os idearios.
No oficio de formadora de formadores, ou seja, professora de cursos preparatorios para professores, eu sempre insistia com os alunos acerca da importancia do reconhecimento de idearios diversos e a assunçao de um deles ou de alguns dentro de um mesmo horizonte de fundamentaçao teorica. Assumir um ideario é postar-se conscientemente no mundo e assim intervir com clareza na construçao de ideais segundo possibilidades e condiçoes socio-historicas. Agir sem idearios é estar entregue à idealismos sonhadores ou à pura empiria, onde a experiencia empirica isolada nao compreende a reflexao critica. Apenas ter ideias esparsas e desorganizadas nao permite agir no mundo de maneira consciente e direcionada, mas apenas vagar por opinioes nao fundamentadas e por vezes ao sabor das influencias ideologicas e dos eventos cotidianos aleatorios.
Os ideais sao a fonte de inspiraçao e os alvos de nossos projetos e açoes na busca da construçao de idearios. Muitos entendem ideais na conta de utopias esquecendo que as utopias nao sao apenas nao-lugares, mas como diz Marilena Chaui, sao possiveis eutopias, bons-lugares, que, se podem ser pensados, podem ser realizados, claro que com a consideraçao dialética do contexto. Para Dewey os ideais sao poderosas fontes de estimulo como parametros direcionais de onde queremos chegar, valorosos desde que mediados pela dinamica da experiencia. O que nao se pode é ter ideais nao fundamentados e sonhadores sem o efetivo trabalho de reconstruçao dos mesmos a partir das novas experiencias; o entorno vai mudando, nos vamos mudando e por conseguinte, nossas ideias, idearios e ideais também.
A passagem de ideias velhas para ideias novas, como aprendi com Charles Sanders Peirce, dentro de um horizonte teorico pragmatico, se da na medida em que ideias velhas nao dao conta das situaçoes em que estamos envolvidos; porém ha uma tendencia em manter coesas e incolumes as ideias que sustentam nossas vidas, ou seja nossas crenças. Necessitamos de um evento que disturbe nossas crenças para que elas possam ser revistas e recriadas, mas no ato da recriaçao precisamos de novas ideias, o que nao se pode fazer sem as ideias velhas. Assim nossas mudanças sao a construçao de verdadeiras pontes entre o antes e o agora que almeja o depois. Nao ha como fazer o novo sem o velho.
Toda a reflexao acima foi incitada por uma conversa com uma carissima amiga. Observamos mudanças em instituiçoes educacionais que, à guisa de se modernizarem e adequarem-se aos novos padroes economico-financeiros bem como ideologicos, passam como um trator sobre escombros, dizimando experiencias de décadas e ignorando o acumulo de conhecimentos que permitiram chegar ao ponto atual. Mudar sim, mas nao destruindo totalmente pessoas e projetos que se vinculem ao passado. Trabalhei com uma Diretora de Escola, Maria Helena Machado Guimaraes, a qual sempre reforçava a ideia de que uma escola ideal se alicerçava na tradiçao e na experiencia do passado bem como se projetava no futuro procurando agir com atitude de vanguarda.
Dewey permite pensar que a mudança de pensamento ha sempre de vir, seja pela experiencia reflexiva, ou seja de forma inteligente, ou pela morte, pois quem nao muda pode ja estar morto em vida. Instituiçoes e pessoas que nao mudam, empedernidas numa unica forma de pensar e agir, nao se adaptam inteligentemente ao mundo, e acabam por ser esquecidas, abandonadas em vida ou apos seu desaparecimento. Entao, de maneira nenhuma se defende o aprisionamento a ideias velhas em absoluto, mas se defende a analise criteriosa de quais ideias podem ser sustentaculos do futuro almejado e quais devem ser revistas e, inclusive, descartadas.
Ideias todos construimos. Idearios demandam esforço de estudo e reflexao. Ideais sao fundamentais para nos encaminharmos conscientemente das experiencias reflexivas do ontem, mediadas pelo hoje, em direçao ao amanha de nossos desejos de crescimento e aperfeiçoamento para nos e para todos os que partilham de nossa caminhada.
As ideias sao bases para os ideais e para os idearios.
No oficio de formadora de formadores, ou seja, professora de cursos preparatorios para professores, eu sempre insistia com os alunos acerca da importancia do reconhecimento de idearios diversos e a assunçao de um deles ou de alguns dentro de um mesmo horizonte de fundamentaçao teorica. Assumir um ideario é postar-se conscientemente no mundo e assim intervir com clareza na construçao de ideais segundo possibilidades e condiçoes socio-historicas. Agir sem idearios é estar entregue à idealismos sonhadores ou à pura empiria, onde a experiencia empirica isolada nao compreende a reflexao critica. Apenas ter ideias esparsas e desorganizadas nao permite agir no mundo de maneira consciente e direcionada, mas apenas vagar por opinioes nao fundamentadas e por vezes ao sabor das influencias ideologicas e dos eventos cotidianos aleatorios.
Os ideais sao a fonte de inspiraçao e os alvos de nossos projetos e açoes na busca da construçao de idearios. Muitos entendem ideais na conta de utopias esquecendo que as utopias nao sao apenas nao-lugares, mas como diz Marilena Chaui, sao possiveis eutopias, bons-lugares, que, se podem ser pensados, podem ser realizados, claro que com a consideraçao dialética do contexto. Para Dewey os ideais sao poderosas fontes de estimulo como parametros direcionais de onde queremos chegar, valorosos desde que mediados pela dinamica da experiencia. O que nao se pode é ter ideais nao fundamentados e sonhadores sem o efetivo trabalho de reconstruçao dos mesmos a partir das novas experiencias; o entorno vai mudando, nos vamos mudando e por conseguinte, nossas ideias, idearios e ideais também.
A passagem de ideias velhas para ideias novas, como aprendi com Charles Sanders Peirce, dentro de um horizonte teorico pragmatico, se da na medida em que ideias velhas nao dao conta das situaçoes em que estamos envolvidos; porém ha uma tendencia em manter coesas e incolumes as ideias que sustentam nossas vidas, ou seja nossas crenças. Necessitamos de um evento que disturbe nossas crenças para que elas possam ser revistas e recriadas, mas no ato da recriaçao precisamos de novas ideias, o que nao se pode fazer sem as ideias velhas. Assim nossas mudanças sao a construçao de verdadeiras pontes entre o antes e o agora que almeja o depois. Nao ha como fazer o novo sem o velho.
Toda a reflexao acima foi incitada por uma conversa com uma carissima amiga. Observamos mudanças em instituiçoes educacionais que, à guisa de se modernizarem e adequarem-se aos novos padroes economico-financeiros bem como ideologicos, passam como um trator sobre escombros, dizimando experiencias de décadas e ignorando o acumulo de conhecimentos que permitiram chegar ao ponto atual. Mudar sim, mas nao destruindo totalmente pessoas e projetos que se vinculem ao passado. Trabalhei com uma Diretora de Escola, Maria Helena Machado Guimaraes, a qual sempre reforçava a ideia de que uma escola ideal se alicerçava na tradiçao e na experiencia do passado bem como se projetava no futuro procurando agir com atitude de vanguarda.
Dewey permite pensar que a mudança de pensamento ha sempre de vir, seja pela experiencia reflexiva, ou seja de forma inteligente, ou pela morte, pois quem nao muda pode ja estar morto em vida. Instituiçoes e pessoas que nao mudam, empedernidas numa unica forma de pensar e agir, nao se adaptam inteligentemente ao mundo, e acabam por ser esquecidas, abandonadas em vida ou apos seu desaparecimento. Entao, de maneira nenhuma se defende o aprisionamento a ideias velhas em absoluto, mas se defende a analise criteriosa de quais ideias podem ser sustentaculos do futuro almejado e quais devem ser revistas e, inclusive, descartadas.
Ideias todos construimos. Idearios demandam esforço de estudo e reflexao. Ideais sao fundamentais para nos encaminharmos conscientemente das experiencias reflexivas do ontem, mediadas pelo hoje, em direçao ao amanha de nossos desejos de crescimento e aperfeiçoamento para nos e para todos os que partilham de nossa caminhada.
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