Escutando uma entrevista com a fisica e terapeuta Anna Sharp, ouvi descriçoes do trabalho do Dr. Ihaleakala Hew Len com sua técnica Ho'oponopono, ou seja causar perfeiçao, aprendida com a tribo dos Kahunas, Hawai. No sitio http://www.luzdegaia.org/hooponopono/len.htm encontrei maiores explicaçoes.
Trata-se de um tratamento de dentro pra fora, a pessoa assume suas necessidades de perdao com relaçao a si mesma e aos outros. Como fazemos juizos com relaçao ao nosso proprio comportamento e ao alheio, estamos sempre pensando e refletindo acerca de nossas açoes e as do proximo. Assim, demonstrando ter consciencia do fato, falta apenas a iniciativa para mudar a forma de pensar e a de agir; e um passo significativo é o perdao. So posso perdoar o outro se perdoo a mim mesmo. Assumindo a minha humanidade falivel posso reconhecer os limites do outro.
O mantra repetido é "Sinto muito, eu te amo!" A sua força consiste em liberar a mente dos condicionamentos anteriores por meio da consciencia do poder do mantra sobre nosso corpo e nosso pensamento; é a instalaçao de um novo padrao de percepçao da realidade que se traduzira em saude e um estado de amor consciencial.
Eu passei a utilizar mantras segundo orientaçao da maravilhosa Dra. Lilian Rose Ferreira Lordello. Ao me receitar homeopatia perguntava se eu gostaria de acrescentar um mantra no momento da ingestao do medicamento e eu sempre aceitei; a cada nova medicaçao um novo mantra ou a manutençao de um anterior sempre com a aquiescencia do meu corpo enquanto veiculo da minha mente.
Eu ainda os utilizo e os ampliei segundo minhas necessidades em momentos peculiares. Gosto muito de repeti-los antes de dormir e ao acordar:
"Eu estou em paz, eu vivo em paz, a paz permeia o Universo. Deus é paz e a paz se manifesta por meio de mim".
"O amor é o mais importante! Eu me amo, eu amo toda a humanidade de todos os tempos e todas as dimensoes, todos os reinos da natureza, todos os seres do Universo. Eu envio amor ao Universo e recebo amor em troca. Deus é amor e o amor se manifesta por meio de mim".
"Eu pedi certo, eu escolhi certo".
"O melhor lugar é onde a gente esta!" (me inspirei em uma musica do Lo Borges "Onde a gente esta" em que ha um verso assim "nosso lugar é onde a gente esta").
"Eu me perdoo, eu perdoo toda a humanidade de todos os tempos e todas as dimensoes".
Também ao pesquisar sobre florais de Bach na internet encontrei vario sitios interessantes nos quais citam mantras apropriados a determinados florais, eu especificamente utilizo os seguintes:
"Estou em paz e disponho de novas forças!"
"Todo dia é sempre um novo inicio!"
Entendo os mantras como varias possibilidades, sejam como uma reprogramaçao mental, como uma forma de concentraçao ou ainda como a enunciaçao de palavras de carater sagrado e que estabelecem conexoes cosmicas.
Mantras podem ser frases, palavras, sons, oraçoes, textos; o importante é a gente utiliza-los conscientemente com intençao clara e de forma genuina.
O Ho'oponopono esta sendo muito bom pra mim porque eu emito juizos constantemente, caracteristica propria do meu eu e da qual recordo desde a mais tenra idade, mais tarde reforçada nos cursos academicos. O problema de ajuizar sobre tudo e sobre todos é que a gente passa a se postar como distanciado daquilo que apontamos quando na verdade tudo que é humano nao nos é estranho, e sombras e luzes habitam em nos.
Jesus diz "quem nao tiver pecados atire a primeira pedra". Como eu ainda trago sombras em meu coraçao eu emito pensamentos em sentimentos, atos e palavras que renegam os outros e seus atos, eu acabo por me ligar negativamente com as pessoas. O negativo que ha em mim conecta com o negativo que ha no outro. Sendo compreensiva comigo o serei com o outro. Perdoando a mim, perdoarei o outro. Perdoar so é possivel desenvolvendo empatia com a dor que se manifesta por meio do erro em nos e no outro.
Perdoar, pedir perdao é ato de libertaçao, é Ho'oponopono, é causar perfeiçao.
domenica 8 luglio 2012
giovedì 5 luglio 2012
Uma nova consciencia planetaria
Beto Guedes nos ensina uma nova consciencia planetaria, uma nova forma de pensar e fazer um mundo melhor para todos nos e para outros que aqui venham habitar, hoje e sempre.
"O sal da Terra" - Beto Guedes
Aprender-ensinar em continuum
"Mestre nao é quem ensina, mas quem de repente aprende". A famosa expressao de Joao Guimaraes Rosa é das mais citadas entre educadores e é prenhe de muitos possiveis significados.
Eu tenho uma mania muito peculiar de refletir a partir de frases de pensadores à minha maneira. Quando se trata de um contexto teorico tenho preocupaçao em evitar a deturpaçao das ideias dos autores; porém, quando se trata de usar uma frase na conta de inspiraçao, o faço com grande liberdade.
Existe uma grande ilusao baseada na dicotomia entre teoria e pratica e entre pensamento e açao. O desconhecimento da continuidade faz a gente separar os dois aspectos do movimento de continuidade. A gente aprende quando uma certa maneira de lidar com as coisas da certo ou nao. Registra a informaçao e dai em diante toma decisoes baseadas nos erros e acertos que se tornam automaticamente fontes teoricas; e, a partir das mesmas, empreendemos novas experiencias, vamos para a açao. Continuum, praxis dialética. Ajo em mim, ajo no mundo e o mundo age em mim.
O problema é quando a gente corta a continuidade e passa a apenas agir ou somente a teorizar. Muitas vezes cristalizamos a forma de intervir no mundo baseando-nos numa maneira antiga e aparentemente acertada de resolver as coisas. Outros repetem na açao ad aeternum uma forma aprendida empiricamente, ou seja, sem reflexao teorica, somente conquistada por meio dos sentidos.
O bacana é fazer um movimento equilibrado consciente, saber que o que eu penso interfere no que eu faço e que o que eu faço modifica o que eu penso. Que o eu penso interfere no que os outros pensam e fazem, e vice versa.
Muitas pessoas que se propoem a ensinar muitas vezes esquecem, ou nao se dao conta, de que também aprendem, e, se aprendem, podem ensinar muito mais. O que nos aprimora é a consciencia do movimento continuo de aprender-ensinar. Ninguém aprende sem ensinar e ninguém ensina sem aprender. Um Dewey e um Paulo Freire basicos e que, com supremas maestrias, nos ensinaram o obvio que ninguém percebia.
Dispor-se a aprender nos capacita a poder partilhar com os outros novas formas de pensar e viver, o que se traduz como ensinar, seja em ambientes especificamente educacionais como escolas, ou em todas as situaçoes da vida humana, que é preponderantemente educativa. Em todos os momentos estamos em situaçoes de aprendizagem, estamos sempre aprendendo novas formas de viver e procurando partilhar as nossas conquistas com os outros, ou seja, ensinando.
Dificil é identificar quando passamos da medida, quando nao estamos dispostos a aprender coisa alguma e estamos no papel do incoveniente ensinador, o "sabe tudo" que a todos incomoda. Eu tenho uma caracteristica quase incontrolavel de querer ensinar sempre alguma coisa, além de sempre corrigir outrem. Ja estou "de saco cheio" e querendo modificar minha atitude, que, alias, é diametralmente oposta ao meu discurso teorico.
Creio firmemente que eu, e todos que querem se modificar, o podem fazer, mas também sei que é dificil. De qualquer maneira, eu nao desisto, hoje melhor que ontem, amanha melhor que hoje. Pouco a pouco a luta de incorporar em sentimentos e açoes o que ja se organizou em pensamento fundamentador. E, à medida em que transcender a situaçao atual, meus ideais se ampliarao e aprofundarao e, assim, eu serei a realizaçao continua da minha propria cosmovisao.
Na dificuldade em estar sempre atenta, eu me alimento com poesia, com literatura, com musica, com oraçoes, com meditaçao, rogo ao universo que os avatares todos, os seres com mais consciencia que eu, possam me auxiliar a me conhecer melhor, a manifestar a divindade que habita em mim, a realizar as virtudes divinas universais para que, como Rosa diz, possa manifestar o mestre que se constitui como tal porque aprende constantemente.
Eu tenho uma mania muito peculiar de refletir a partir de frases de pensadores à minha maneira. Quando se trata de um contexto teorico tenho preocupaçao em evitar a deturpaçao das ideias dos autores; porém, quando se trata de usar uma frase na conta de inspiraçao, o faço com grande liberdade.
Existe uma grande ilusao baseada na dicotomia entre teoria e pratica e entre pensamento e açao. O desconhecimento da continuidade faz a gente separar os dois aspectos do movimento de continuidade. A gente aprende quando uma certa maneira de lidar com as coisas da certo ou nao. Registra a informaçao e dai em diante toma decisoes baseadas nos erros e acertos que se tornam automaticamente fontes teoricas; e, a partir das mesmas, empreendemos novas experiencias, vamos para a açao. Continuum, praxis dialética. Ajo em mim, ajo no mundo e o mundo age em mim.
O problema é quando a gente corta a continuidade e passa a apenas agir ou somente a teorizar. Muitas vezes cristalizamos a forma de intervir no mundo baseando-nos numa maneira antiga e aparentemente acertada de resolver as coisas. Outros repetem na açao ad aeternum uma forma aprendida empiricamente, ou seja, sem reflexao teorica, somente conquistada por meio dos sentidos.
O bacana é fazer um movimento equilibrado consciente, saber que o que eu penso interfere no que eu faço e que o que eu faço modifica o que eu penso. Que o eu penso interfere no que os outros pensam e fazem, e vice versa.
Muitas pessoas que se propoem a ensinar muitas vezes esquecem, ou nao se dao conta, de que também aprendem, e, se aprendem, podem ensinar muito mais. O que nos aprimora é a consciencia do movimento continuo de aprender-ensinar. Ninguém aprende sem ensinar e ninguém ensina sem aprender. Um Dewey e um Paulo Freire basicos e que, com supremas maestrias, nos ensinaram o obvio que ninguém percebia.
Dispor-se a aprender nos capacita a poder partilhar com os outros novas formas de pensar e viver, o que se traduz como ensinar, seja em ambientes especificamente educacionais como escolas, ou em todas as situaçoes da vida humana, que é preponderantemente educativa. Em todos os momentos estamos em situaçoes de aprendizagem, estamos sempre aprendendo novas formas de viver e procurando partilhar as nossas conquistas com os outros, ou seja, ensinando.
Dificil é identificar quando passamos da medida, quando nao estamos dispostos a aprender coisa alguma e estamos no papel do incoveniente ensinador, o "sabe tudo" que a todos incomoda. Eu tenho uma caracteristica quase incontrolavel de querer ensinar sempre alguma coisa, além de sempre corrigir outrem. Ja estou "de saco cheio" e querendo modificar minha atitude, que, alias, é diametralmente oposta ao meu discurso teorico.
Creio firmemente que eu, e todos que querem se modificar, o podem fazer, mas também sei que é dificil. De qualquer maneira, eu nao desisto, hoje melhor que ontem, amanha melhor que hoje. Pouco a pouco a luta de incorporar em sentimentos e açoes o que ja se organizou em pensamento fundamentador. E, à medida em que transcender a situaçao atual, meus ideais se ampliarao e aprofundarao e, assim, eu serei a realizaçao continua da minha propria cosmovisao.
Na dificuldade em estar sempre atenta, eu me alimento com poesia, com literatura, com musica, com oraçoes, com meditaçao, rogo ao universo que os avatares todos, os seres com mais consciencia que eu, possam me auxiliar a me conhecer melhor, a manifestar a divindade que habita em mim, a realizar as virtudes divinas universais para que, como Rosa diz, possa manifestar o mestre que se constitui como tal porque aprende constantemente.
venerdì 29 giugno 2012
Cici, uma luz em minha vida
Hoje me deu uma vontade de escrever sobre minha vo Cici, a mae da minha mae. Por muito tempo, talvez do final da infancia até quase 40 anos, Cici foi mitificada por mim numa grande adoraçao baseada na admiraçao de seus traços de carater, sua historia de vida e o carinho e o amor por ela a mim dedicados. Depois dos 40 eu passei a desmitifica-la e ama-la com mais profundidade em sua humanidade plena.
Recordo-me que em momentos cruciais de minha vida ela sempre era a referencia e a primeira a me dizer palavras de conforto e incentivo. Quando de uma cirurgia espiritual, em minha primeira gravidez, nas decisoes sobre trabalho e estudo, no momento de minha separaçao do pai dos meus filhos, na minha vinda para a Italia. Ela sempre se manifestava a partir de seu proprio ponto de vista e, apos isso, explanava sobre sua compreensao acerca de minhas escolhas demonstrando muita modernidade na sua apreensao do mundo e generosidade em aceitar confiante os caminhos por mim percorridos.
Cici nao estudou formalmente mas ainda assim demonstra grande sabedoria, claramente mais do que muitos que conheço e tem inumeros titulos academicos, posiçao social de destaque e situaçao financeira privilegiada. Sua origem é humilde, filha de lavradores de Minas Gerais. Nasceu no vilarejo de Cachoeira, distrito de Sao José da Lapa, à época pertencente à cidade de Vespasiano, uns 20km de Belo Horizonte. Estudou no sistema chamado Método Lancaster, introduzido no Brasil pelo Imperador no século XIX. Uma professora geria a escola, a secretariava e lecionava para todas as turmas de alunos com o auxilio dos alunos mais adiantados. Cici era uma delas. Poucos anos de estudo e muitos de trabalho junto à familia na lavoura e nos cuidados da casa e seus misteres.
Casada pela primeira vez continuou morando em Minas Gerais e, por um tempo, também em Sao Paulo nas imediaçoes de Presidente Prudente, onde nasceu minha mae. No retorno à Minas, em sua vida sempre sacrificada e de muitas dificuldades, ja com tres filhos (duas meninas e um menino) e um no ventre, veio a ficar viuva. Ela fazia de tudo, cozinhava, lavava, costurava, carpia, catava lenha, criava galinhas selvagens, e recebia restritos e modicos auxilios de algumas pessoas conhecidas, com pouquissimo apoio da familia. Perdeu os dois filhos meninos por falta de auxilio médico e por condiçoes limitadas para uma alimentaçao saudavel. Foi morar com parentas cegas de seu falecido marido e ali sua vida eram as filhas e o trabalho na roça e em moinhos.
Um irmao de seu cunhado, mineiro com vida em Santos, a pediu em casamento e a trouxe para o litoral paulista. Em Santos, morando em casa coletiva no bairro do Marapé, teve mais tres filhos (duas meninas e um menino). Seu marido adoeceu e ao falecer a deixou com os cinco filhos. Ela os criou com a parca pensao e o trabalho continuo como lavadeira, passadeira e arrumadeira de casas. Comprou com o auxilio de amigos uma pequena casa na Areia Branca, uma antiga area de avanço de aguas marinhas e invasao de terras, em um sistema de habitaçao popular, a Cohab. Ainda com todas as dificuldades, casadas as filhas do primeiro casamento, educou os mais novos em escolas publicas de alta qualidade e os introduziu em sistema de incentivo à educaçao e ao trabalho juvenil, como Camps e Patrulheiras. Os filhos que quiseram se desenvolver tiveram seu apoio e incentivo e percorreram caminhos de autonomia construindo vidas organizadas, honestas e interessantes.
Hoje Cici com quase 93 anos, esta cega, mora com uma denodada filha e é a grande matriarca da familia. Muitos amigos e parentes a visitam e a tem como uma referencia de amor, paz, simpatia, amizade e vida dedicada ao trabalho de forma honesta.
De tudo que me marcou, com certeza o aspecto espiritual ressalta: rezadeira de mao cheia, benzia crianças e adultos por meio de sua imensa fé e amparo espiritual. Sempre em contato com os amigos desencarnados, recebia, e ainda recebe, noticias de suas passagens e de eventos imprevistos.
Adorava passar alguns dias de minhas férias escolares em sua casa, viver a sua cotidianidade. Comer seus doces de leite, doces de banana, bolos secos de maça, suas macarronadas e as famosas laranjadas com duas laranjas, uma imensidao de agua e muito açucar.
Sua vida doméstica organizada e tranquila, com limpeza e regularidade, com seu pequeno jardim e as pequenas delicias da cozinha sempre compuseram meu imaginario, o qual hoje tem dirigido a construçao de meus dias.
Quando tive que enfrentar dores fisicas e morais, dificuldades financeiras e situaçoes extremadas, ela sempre era a luz a me indicar possibilidades por meio de suas sabias palavras e o exemplo de suas empreitadas.
Recordo-me que em momentos cruciais de minha vida ela sempre era a referencia e a primeira a me dizer palavras de conforto e incentivo. Quando de uma cirurgia espiritual, em minha primeira gravidez, nas decisoes sobre trabalho e estudo, no momento de minha separaçao do pai dos meus filhos, na minha vinda para a Italia. Ela sempre se manifestava a partir de seu proprio ponto de vista e, apos isso, explanava sobre sua compreensao acerca de minhas escolhas demonstrando muita modernidade na sua apreensao do mundo e generosidade em aceitar confiante os caminhos por mim percorridos.
Cici nao estudou formalmente mas ainda assim demonstra grande sabedoria, claramente mais do que muitos que conheço e tem inumeros titulos academicos, posiçao social de destaque e situaçao financeira privilegiada. Sua origem é humilde, filha de lavradores de Minas Gerais. Nasceu no vilarejo de Cachoeira, distrito de Sao José da Lapa, à época pertencente à cidade de Vespasiano, uns 20km de Belo Horizonte. Estudou no sistema chamado Método Lancaster, introduzido no Brasil pelo Imperador no século XIX. Uma professora geria a escola, a secretariava e lecionava para todas as turmas de alunos com o auxilio dos alunos mais adiantados. Cici era uma delas. Poucos anos de estudo e muitos de trabalho junto à familia na lavoura e nos cuidados da casa e seus misteres.
Casada pela primeira vez continuou morando em Minas Gerais e, por um tempo, também em Sao Paulo nas imediaçoes de Presidente Prudente, onde nasceu minha mae. No retorno à Minas, em sua vida sempre sacrificada e de muitas dificuldades, ja com tres filhos (duas meninas e um menino) e um no ventre, veio a ficar viuva. Ela fazia de tudo, cozinhava, lavava, costurava, carpia, catava lenha, criava galinhas selvagens, e recebia restritos e modicos auxilios de algumas pessoas conhecidas, com pouquissimo apoio da familia. Perdeu os dois filhos meninos por falta de auxilio médico e por condiçoes limitadas para uma alimentaçao saudavel. Foi morar com parentas cegas de seu falecido marido e ali sua vida eram as filhas e o trabalho na roça e em moinhos.
Um irmao de seu cunhado, mineiro com vida em Santos, a pediu em casamento e a trouxe para o litoral paulista. Em Santos, morando em casa coletiva no bairro do Marapé, teve mais tres filhos (duas meninas e um menino). Seu marido adoeceu e ao falecer a deixou com os cinco filhos. Ela os criou com a parca pensao e o trabalho continuo como lavadeira, passadeira e arrumadeira de casas. Comprou com o auxilio de amigos uma pequena casa na Areia Branca, uma antiga area de avanço de aguas marinhas e invasao de terras, em um sistema de habitaçao popular, a Cohab. Ainda com todas as dificuldades, casadas as filhas do primeiro casamento, educou os mais novos em escolas publicas de alta qualidade e os introduziu em sistema de incentivo à educaçao e ao trabalho juvenil, como Camps e Patrulheiras. Os filhos que quiseram se desenvolver tiveram seu apoio e incentivo e percorreram caminhos de autonomia construindo vidas organizadas, honestas e interessantes.
Hoje Cici com quase 93 anos, esta cega, mora com uma denodada filha e é a grande matriarca da familia. Muitos amigos e parentes a visitam e a tem como uma referencia de amor, paz, simpatia, amizade e vida dedicada ao trabalho de forma honesta.
De tudo que me marcou, com certeza o aspecto espiritual ressalta: rezadeira de mao cheia, benzia crianças e adultos por meio de sua imensa fé e amparo espiritual. Sempre em contato com os amigos desencarnados, recebia, e ainda recebe, noticias de suas passagens e de eventos imprevistos.
Adorava passar alguns dias de minhas férias escolares em sua casa, viver a sua cotidianidade. Comer seus doces de leite, doces de banana, bolos secos de maça, suas macarronadas e as famosas laranjadas com duas laranjas, uma imensidao de agua e muito açucar.
Sua vida doméstica organizada e tranquila, com limpeza e regularidade, com seu pequeno jardim e as pequenas delicias da cozinha sempre compuseram meu imaginario, o qual hoje tem dirigido a construçao de meus dias.
Quando tive que enfrentar dores fisicas e morais, dificuldades financeiras e situaçoes extremadas, ela sempre era a luz a me indicar possibilidades por meio de suas sabias palavras e o exemplo de suas empreitadas.
martedì 26 giugno 2012
Conhecer, a arte do indagar e da incerteza
Ontem tive a grata oportunidade de conhecer uma pessoa interessantissima. Um senhor de 76 anos, professor de frances aposentado, uma figura distinta, simples, espontanea e vivaz, com muitas experiencias que demonstravam, por seus relatos e impressoes expressas, ter e estar aproveitando tudo em seu percurso pessoal como construçao da sua sabedoria provisoria. Eu particularmente ambiciono e creio que o caminho que ele empreende pode nos levar a vislumbrar a Verdade.
De tudo que conversamos informalmente, muito me chamou a atençao sua crença de que a unica certeza é a da incerteza, da provisoriedade de nossos conhecimentos, da interrogaçao constante de que se reveste nossa capacidade de filosofar.
Dentro da concepçao pragmatica instrumentalista de John Dewey, pode dizer-se que a crença é um conjunto organizado de ideias que se mostram provisoriamente suficientes para nos permitir interpretar e interagir na realidade construida por nos mesmos em continuidade de experiencias reflexivas ou nao. As experiencias reflexivas seriam aquelas que nos permitem crescer, aperfeiçoar e aprofundar a compreensao sobre nos mesmos e o mundo. Elas se dao por um movimento de atuaçao no mundo por meio de ideias estabelecidas que, na dinamicidade das açoes, passam a ser revistas. Na impossibilidade de agir satisfatoriamente na realidade com formulas velhas, necessitamos rever nossas crenças. Ja as experiencias nao reflexivas sao as que perpetuam a concepçao da realidade porque nao ha o movimento de revisao das crenças; encontrando uma unica e suficiente forma de intervir no mundo, a pessoa se restringe a repetir padroes de açao sem o questionamento da utilidade de tal abordagem. Entao, nesse horizonte teorico deweyano, crença, assim como a ideia de verdade, nao sao substantivaçoes mas adjetivaçoes. Assim, crença e nao Crença, verdadeiro e nao Verdade.
As crenças e aquilo que para nos sao verdades, constituem instrumentos de intervençao, de experiencias reflexivas ou nao. Dai que ha muitas verdades, muitas crenças, e o unico possivel meio de ajuiza-las é a observaçao de quanto bem, quanto aperfeiçoamento, quanto crescimento elas promovem para nos e, em continuidade, para nosso entorno humano e nao humano.
O processo de constituiçao da verdade provisoria se da por uma inicial situaçao de espanto, em que somos chamados a observar algo que parece nos dizer respeito mas que nao identificamos de pronto, algo que faz parte de nosso entorno e que ali se apresenta sem grandes explicaçoes. Depois iniciamos uma busca obstinada, em nosso cabedal de crenças e informaçoes, de indicios que nos permitam compreender a situaçao observada e, entao, formulamos um problema. Finalmente passamos a construir hipoteses de abordagem, partindo para experiencias e suas verificaçoes. Tudo de maneira natural, proprio da forma humana de conhecer, ou com intençao metodologica para uso consciente do pensamento reflexivo. Assim, nossas verdades sao sempe condicionadas aos resultados. O que funciona, serve, explica, satisfaz, é verdade, o que nao atende às necessidades, deve originar a revisao de nossas crenças.
E é assim que penso que a fala daquele senhor tao distinto se reveste de sabedoria. Ter a noçao de que a vida humana é um constante perquirir, uma insuficiencia imensa de atingir a Verdade. Dewey nao negava a realidade metafisica, apenas demonstrava a incapacidade humana de abarca-la por meio de sua constituiçao natural e de seus métodos. Eu também penso que essencialmente a Verdade tudo penetra, tudo sustenta e tudo impulsiona, porém creio que nao a conheço em sua plenitude, mas que no aperfeiçoar de minhas crenças pragmaticamente construidas, vou vislumbrando facetas que se revestem apenas de verdades provisorias.
Tem sido esse arcabouço teorico o meu parametro para escolher as verdades em que me apoio para interpretar e julgar a mim mesma e ao mundo do meu entorno.
A vida, para mim, deve ser entendida como a arte de conhecer por meio do exercicio filosofico do indagar com a unica certeza de que minhas crenças sao provisorias, e tem mudado mediante as transformaçoes de minha consciencia em continuidade com minha inserçao no universo.
De tudo que conversamos informalmente, muito me chamou a atençao sua crença de que a unica certeza é a da incerteza, da provisoriedade de nossos conhecimentos, da interrogaçao constante de que se reveste nossa capacidade de filosofar.
Dentro da concepçao pragmatica instrumentalista de John Dewey, pode dizer-se que a crença é um conjunto organizado de ideias que se mostram provisoriamente suficientes para nos permitir interpretar e interagir na realidade construida por nos mesmos em continuidade de experiencias reflexivas ou nao. As experiencias reflexivas seriam aquelas que nos permitem crescer, aperfeiçoar e aprofundar a compreensao sobre nos mesmos e o mundo. Elas se dao por um movimento de atuaçao no mundo por meio de ideias estabelecidas que, na dinamicidade das açoes, passam a ser revistas. Na impossibilidade de agir satisfatoriamente na realidade com formulas velhas, necessitamos rever nossas crenças. Ja as experiencias nao reflexivas sao as que perpetuam a concepçao da realidade porque nao ha o movimento de revisao das crenças; encontrando uma unica e suficiente forma de intervir no mundo, a pessoa se restringe a repetir padroes de açao sem o questionamento da utilidade de tal abordagem. Entao, nesse horizonte teorico deweyano, crença, assim como a ideia de verdade, nao sao substantivaçoes mas adjetivaçoes. Assim, crença e nao Crença, verdadeiro e nao Verdade.
As crenças e aquilo que para nos sao verdades, constituem instrumentos de intervençao, de experiencias reflexivas ou nao. Dai que ha muitas verdades, muitas crenças, e o unico possivel meio de ajuiza-las é a observaçao de quanto bem, quanto aperfeiçoamento, quanto crescimento elas promovem para nos e, em continuidade, para nosso entorno humano e nao humano.
O processo de constituiçao da verdade provisoria se da por uma inicial situaçao de espanto, em que somos chamados a observar algo que parece nos dizer respeito mas que nao identificamos de pronto, algo que faz parte de nosso entorno e que ali se apresenta sem grandes explicaçoes. Depois iniciamos uma busca obstinada, em nosso cabedal de crenças e informaçoes, de indicios que nos permitam compreender a situaçao observada e, entao, formulamos um problema. Finalmente passamos a construir hipoteses de abordagem, partindo para experiencias e suas verificaçoes. Tudo de maneira natural, proprio da forma humana de conhecer, ou com intençao metodologica para uso consciente do pensamento reflexivo. Assim, nossas verdades sao sempe condicionadas aos resultados. O que funciona, serve, explica, satisfaz, é verdade, o que nao atende às necessidades, deve originar a revisao de nossas crenças.
E é assim que penso que a fala daquele senhor tao distinto se reveste de sabedoria. Ter a noçao de que a vida humana é um constante perquirir, uma insuficiencia imensa de atingir a Verdade. Dewey nao negava a realidade metafisica, apenas demonstrava a incapacidade humana de abarca-la por meio de sua constituiçao natural e de seus métodos. Eu também penso que essencialmente a Verdade tudo penetra, tudo sustenta e tudo impulsiona, porém creio que nao a conheço em sua plenitude, mas que no aperfeiçoar de minhas crenças pragmaticamente construidas, vou vislumbrando facetas que se revestem apenas de verdades provisorias.
Tem sido esse arcabouço teorico o meu parametro para escolher as verdades em que me apoio para interpretar e julgar a mim mesma e ao mundo do meu entorno.
A vida, para mim, deve ser entendida como a arte de conhecer por meio do exercicio filosofico do indagar com a unica certeza de que minhas crenças sao provisorias, e tem mudado mediante as transformaçoes de minha consciencia em continuidade com minha inserçao no universo.
domenica 24 giugno 2012
Arte, alimento, guia e manifestaçao da alma
Meu companheiro esta com uma mostra de suas obras na Casa Paola Arte. No sitio angelo62.altervista.org ou na pagina facebook.com/galeazzi.angelo seu trabalho pode ser conferido. Eu o tenho acompanhado por muitas vezes nos periodos em que ele fica à disposiçao do possivel publico apreciador e/ou critico de arte. Aproveito para observar o comportamento das pessoas e refletir e conjecturar sobre a importancia da arte em suas, em nossas vidas.
Muitos se aproximam e ficam do lado de fora, observando através do vidro com olhos avidos mas uma certa timidez. Outros assomam à porta e, muito educadamente, pedem licença para entrar, evidenciando que nao reconhecem a galeria como um espaço publico de exposiçao e apreciaçao. Dentre os mais habituados, alguns entram e rapidamente dao uma passada de olhos e saem em silencio ou apenas agradecendo. Uns poucos se arvoram em tecer perguntas e comentarios, todos sempre muito inteligentes que fazem pensar e motivam uma exploraçao interessante por aspectos nunca antes aventados ou ainda confirmando hipoteses e intuiçoes nossas e deles mesmos.
Muitas crianças, da rua mesmo, expressam sua opiniao: "Bellissimo!" ao que as maes apressadas retrucam: "Andiamo, via, è ora della pappa!", dando um recado explicito aos filhos: a gente se alimenta de comida, mas de arte... Quando a mae esta distraida, a criança aventurosa adentra a galeria e passa, silenciosamente, a observar tudo, e, ao ser instada a um parecer, se comunica vivamente pelos olhos e com sorrisos... até que sua mae se da conta, entra no espaço, pede desculpas e retira a criança. Uma especialmente me encantou porque ela disse que também pinta, na escola e em casa, se reconheceu no mister do artista, permitiu que a obra estabelecesse uma intersubjetividade, ela, a obra e o artista, todos em comum. Pouquissimos pais entram com seus filhos, os quais demonstram a habitualidade de frequencia a tais lugares, ja que se locomovem livremente, por impulso proprio, observam e trocam olhares com seus acompanhantes.
Alguns casais que passam pela rua também chamam minha atençao. Em geral, observei rapazes que paravam frentre ao vidro e as acompanhantes lhes puxavam o braço. Uma especificamente, quando ele a instava a entrar disse "Non ho capito niente!" e nao aceitou o convite.
Dos que entraram e se manifestaram, muitos me comoveram com suas reflexoes expressas em formas de perguntas: "Qual a fome dos personagens?", "O que incomoda os personagens, qual sua angustia?", "Como liberta-los de suas prisoes?". Além das perquiriçoes técnicas acerca dos recursos de profundidade para o horizonte e sobre os elementos simbolicos como a presença de insetos.
A troca de informaçoes, o rememorar de periodos anteriores de convivencia em ambientes similares da arte, as impressoes que surpreendiam e as que demonstravam a cumplicidade do artista e seus apreciadores... Um casal muito concentrado na observaçao, ao ser perguntado se aceitavam tomar vinho e comer paes, muito rapidamente e com segurança, informaram: "Grazie, ma noi ci nutriamo dell'arte!", emocionante, nao?
Os artistas entao que vinham repetidamente analisar a técnica, conversar e partilhar, criavam um ambiente de fraternidade, de generosidade, de alegria na convivencia do estimular mutuo.
De tudo eu percebia sempre a importancia da arte como forma de expressao dos mais intimos incomodos e os mais profundos sentimentos por meio de recursos refletidos e criativamente construidos para a comunicaçao de nossos pensamentos da e na noosfera, como na concepçao de Teilhard de Chardin, considerando que estamos todos mergulhados em idéias, linguagens, teorias e conhecimentos formados pelo espírito, dos quais nos alimentamos.
Como dizem os Titas "a gente nao quer so comida, a gente quer comida, diversao e arte"! Um homem na sua constituiçao multidimensional e interexistencial possui muitos corpos e uma subjetividade que se manifesta mentalmente, emocionalmente, cognitivamente, numa unidade que talvez pudesse ser nomeada de alma. A interioridade do homem precisa de alimento tanto quanto seus varios corpos... de comida tridimensional ao prana universal, da motivaçao estética à criaçao de realidades simbolicas... tudo é a projeçao do homem que se ressignifica por meio de seus intrumentos de expressao, no caso aqui especifico, a arte.
Mas para que isso se de, é necessario formar o homem com juizo de gosto no dizer de Kant, ou o homem estético no pensar de Friedrich Schiller. A possibilidade da intersubjetividade, ou seja, a comunicaçao do humano em mim com o humano no outro, o reconhecimento de simbolos que comuniquem e permitam interpretaçao de significados entre o homem de genio, o artista, e o homem de gosto, o apreciador. O que os une, o que nos une, é a arte, alimento, guia e manifestaçao da alma.
Crianças, homens e mulheres, artistas e apreciadores, todos necessitamos urgentemente de vida empenhada no nosso proprio reconhecimento em humanidade o que demanda uma educaçao e uma convivialidade estéticas.
Muitos se aproximam e ficam do lado de fora, observando através do vidro com olhos avidos mas uma certa timidez. Outros assomam à porta e, muito educadamente, pedem licença para entrar, evidenciando que nao reconhecem a galeria como um espaço publico de exposiçao e apreciaçao. Dentre os mais habituados, alguns entram e rapidamente dao uma passada de olhos e saem em silencio ou apenas agradecendo. Uns poucos se arvoram em tecer perguntas e comentarios, todos sempre muito inteligentes que fazem pensar e motivam uma exploraçao interessante por aspectos nunca antes aventados ou ainda confirmando hipoteses e intuiçoes nossas e deles mesmos.
Muitas crianças, da rua mesmo, expressam sua opiniao: "Bellissimo!" ao que as maes apressadas retrucam: "Andiamo, via, è ora della pappa!", dando um recado explicito aos filhos: a gente se alimenta de comida, mas de arte... Quando a mae esta distraida, a criança aventurosa adentra a galeria e passa, silenciosamente, a observar tudo, e, ao ser instada a um parecer, se comunica vivamente pelos olhos e com sorrisos... até que sua mae se da conta, entra no espaço, pede desculpas e retira a criança. Uma especialmente me encantou porque ela disse que também pinta, na escola e em casa, se reconheceu no mister do artista, permitiu que a obra estabelecesse uma intersubjetividade, ela, a obra e o artista, todos em comum. Pouquissimos pais entram com seus filhos, os quais demonstram a habitualidade de frequencia a tais lugares, ja que se locomovem livremente, por impulso proprio, observam e trocam olhares com seus acompanhantes.
Alguns casais que passam pela rua também chamam minha atençao. Em geral, observei rapazes que paravam frentre ao vidro e as acompanhantes lhes puxavam o braço. Uma especificamente, quando ele a instava a entrar disse "Non ho capito niente!" e nao aceitou o convite.
Dos que entraram e se manifestaram, muitos me comoveram com suas reflexoes expressas em formas de perguntas: "Qual a fome dos personagens?", "O que incomoda os personagens, qual sua angustia?", "Como liberta-los de suas prisoes?". Além das perquiriçoes técnicas acerca dos recursos de profundidade para o horizonte e sobre os elementos simbolicos como a presença de insetos.
A troca de informaçoes, o rememorar de periodos anteriores de convivencia em ambientes similares da arte, as impressoes que surpreendiam e as que demonstravam a cumplicidade do artista e seus apreciadores... Um casal muito concentrado na observaçao, ao ser perguntado se aceitavam tomar vinho e comer paes, muito rapidamente e com segurança, informaram: "Grazie, ma noi ci nutriamo dell'arte!", emocionante, nao?
Os artistas entao que vinham repetidamente analisar a técnica, conversar e partilhar, criavam um ambiente de fraternidade, de generosidade, de alegria na convivencia do estimular mutuo.
De tudo eu percebia sempre a importancia da arte como forma de expressao dos mais intimos incomodos e os mais profundos sentimentos por meio de recursos refletidos e criativamente construidos para a comunicaçao de nossos pensamentos da e na noosfera, como na concepçao de Teilhard de Chardin, considerando que estamos todos mergulhados em idéias, linguagens, teorias e conhecimentos formados pelo espírito, dos quais nos alimentamos.
Como dizem os Titas "a gente nao quer so comida, a gente quer comida, diversao e arte"! Um homem na sua constituiçao multidimensional e interexistencial possui muitos corpos e uma subjetividade que se manifesta mentalmente, emocionalmente, cognitivamente, numa unidade que talvez pudesse ser nomeada de alma. A interioridade do homem precisa de alimento tanto quanto seus varios corpos... de comida tridimensional ao prana universal, da motivaçao estética à criaçao de realidades simbolicas... tudo é a projeçao do homem que se ressignifica por meio de seus intrumentos de expressao, no caso aqui especifico, a arte.
Mas para que isso se de, é necessario formar o homem com juizo de gosto no dizer de Kant, ou o homem estético no pensar de Friedrich Schiller. A possibilidade da intersubjetividade, ou seja, a comunicaçao do humano em mim com o humano no outro, o reconhecimento de simbolos que comuniquem e permitam interpretaçao de significados entre o homem de genio, o artista, e o homem de gosto, o apreciador. O que os une, o que nos une, é a arte, alimento, guia e manifestaçao da alma.
Crianças, homens e mulheres, artistas e apreciadores, todos necessitamos urgentemente de vida empenhada no nosso proprio reconhecimento em humanidade o que demanda uma educaçao e uma convivialidade estéticas.
giovedì 21 giugno 2012
Um nao vive com o outro, um nao vive sem o outro
Assistindo ao programa Enigmas da TV Orkut fui surpreendida com a frase "Um nao vive com o outro, um nao vive sem o outro". A questao, para mim, se reporta à convivencia com o diferente que passa pelas fases de atraçao e de repulsao. Aquilo que é desconhecido para nos se apresenta com uma grande exuberancia e nos atrai porque é exotico, mas, ao mesmo tempo, se mostra tao diferente dos nossos padroes cotidianos que acaba por nos afastar. Penso que tal ideia se aplica às relaçoes amorosas, interculturais, socioeconomicas e interdimensionais. Como é fascinante se imiscuir em campo desconhecido e, ainda assim, o desconforto e o desespero acabam por nos arrastar em retorno às situaçoes habituais de segurança.
Nas relaçoes amorosas a gente passa pela loucura da paixao em que o funcionamento quimico do organismo da conta do recado e nao ha muito a refletir, tudo se encaixa porque tudo é incandescente, porque tudo é novidade e se reveste de magia e encantamento; mas, com o transcorrer do tempo, ha um acomodamento organico ao bem-estar e o que antes era carencia satisfeita, agora é alimento cotidiano. A gente passa a ver o outro naquilo que nao se encaixa nas nossas peculiares regras diarias de conduçao dos atos minimos, e ai se incomoda com a maneira do outro higienizar os dentes, de descascar as batatas e de escolher os produtos no supermercado. "Se de dia a gente briga, à noite a gente se ama" como diz a famosa musica cantada por Leandro e Leonardo. A furia das picuinhas passa e depois, ao se imaginar viver sem a pessoa amada, da vontade de reatar os laços. Minha vo Cici diz sempre "ruim com ele, pior sem ele", nao por uma mera questao pragmatica, afinal somos mulheres e homens que vivem com independencia, mas porque é gostoso amar e estar com alguém apesar das diferenças, muitas vezes quase inconciliaveis.
As relaçoes interculturais demonstram terrivelmente as contradiçoes da unidade dialética aproximaçao-distanciamento. Guerras civis e militares se dao por obvios motivos politico-economicos, mas também pela dificuldade em suportar os usos e costumes do outro. As praticas religiosas dos outros povos, seus gostos alimentares, seus valores e suas formas de convivialidade se chocam com as nossas, e, ao mesmo tempo que desenvolvemos uma curiosidade como observadores, temos o desejo de nos distanciarmos e, até mesmo, de retirar de nossas vistas aquela forma diferente de existencia. Eu como professora cheguei, em um determinado ano letivo, a ter quase 900 alunos, e, em geral, na média, 200 a 300 a cada ano, o que me obrigava a uma convivencia estreita por ao menos duas horas semanais com cada grupo, muitas vezes em situaçoes de explicita guerra declarada. Os conflitos eram imensos, assim como as simpatias e empatias, mas era notorio para mim como tudo era conflagrado segundo as cosmovisoes que assumiamos, eu e eles. Os que mais me atraiam positivamente eram os que tinham historias proximas à minha e os que me causavam repulsa eram os que se postavam do outro lado do front, como aqueles que renegavam meus valores e minha maneira de ser, o mesmo podendo se dizer dos alunos para comigo. Mas, era "batata", sempre havia uma atraçao irresistivel por aqueles que maiores problemas causavam, eram os que mais tempo me consumiam em minhas tentativas de cumprir minha tarefa e, ao mesmo tempo, eram os sinais luminosos que me faziam enfrentar meus preconceitos e dificuldades pessoais. Sem os que me irritavam com certeza eu aprenderia muito pouco com minha propria profissao. Também entre os alunos se estabeleciam rixas causadas por suas origens etnicas e socioeconomicas e eu tinha que criar recursos pedagogicos para fazer com que eles se aproximassem, porque quando a gente se aproxima do diferente ele fica um pouco mais parecido. De perto se desfazem mitos. Lembro também das dificuldades que sentia quando, na infancia e na adolescencia, quando tinha que ir a festas e atos solenes com pessoas de origens socioeconomicas diferentes da minha, especialmente mais altas, tinha uma sensaçao imensa de deslocamento que acabava por gerar uma certa ogeriza a tais personagens e ambientes.
No que se refere aos contatos interdimensionais, sempre me lembro de uma visao que André Luiz, escritor por meio de Chico Xavier, descreveu. Ele conta que, dessomatizado, habitando no plano astral, ficou assustadissimo e com medo quando encontrou seres muito diferentes e foi esclarecido, por um mentor, de que se tratavam de pessoas encarnadas em desdobramento. Assim como nos quando em desdobramento consciente nos deparamos com seres em outros corpos e em outras dimensoes. Imagine o homem comum da humanidade atual entrando em contato com seres de outras dimensoes superiores ou inferiores, os quais para ele poderiam ser interpretados como demonios, anjos ou deuses, pelos quais teriam deslumbramento e ao mesmo tempo repulsa. Um professor de Antropologia Filosofica, José de Sa Porto, falava em suas aulas do sentimento religioso de "Tremor e Temor" do homem frente ao mistério. A atraçao reverente e ao mesmo tempo assustadora. Muitos de nos dizemos querer ver a Deus, porém nao necessariamente agora... queremos reencontrar nossos amados dessomados, mas por favor, nao no calar da noite e no escuro...
A dificuldade é como viver e nao viver com. Como a famosa fabula de Arthur Schopenhauer sobre os porcos-espinhos que necessitavam viver juntos no inverno mas sem se espetarem. Precisamos dos outros mas nao podemos viver totalmente integrados aos outros. Um ex-terapeuta meu, Arlindo Salgueiro, escreveu um texto em que falava que para nos relacionarmos temos que ter corredores arejados entre nos, proximos mas com espaços suficientes para respirarmos e nos movimentarmos confortavelmente.
Em todas as situaçoes o desejo é encontrar um alter ego, um espelho em que nos miremos com aceitaçao, mas o que ocorre muitas vezes é observar nosso lado sombra realizado no outro e nossa luz brilhando nas suas açoes. Nossa vontade é matar no outro aquilo que em nos viceja e ja ha tanto tempo nos faz mal. O que admiramos no outro é aquilo que ja aprovamos como conquista de nossa propria experiencia de vida. O mérito ou o demérito que vemos no outro é apenas projeçao daquilo que nos constitui em atualidade. Olhar o outro é desejar ser com e como ele e ao mesmo tempo destrui-lo para que ele nao promova incomodos existenciais nos nossos poroes obscuros.
De qualquer maneira, o outro é uma necessidade natural para nos pela forma como a vida se constitui no universo, tudo é integrado num grande todo em que cada ser esta mergulhado; precisamos ver no outro aquilo que em comum em nos existe, mas, ao mesmo tempo, ver na diferença do que ha em mim e do que ha no outro, dons com os quais podemos aprender mutuamente.
Nas relaçoes amorosas a gente passa pela loucura da paixao em que o funcionamento quimico do organismo da conta do recado e nao ha muito a refletir, tudo se encaixa porque tudo é incandescente, porque tudo é novidade e se reveste de magia e encantamento; mas, com o transcorrer do tempo, ha um acomodamento organico ao bem-estar e o que antes era carencia satisfeita, agora é alimento cotidiano. A gente passa a ver o outro naquilo que nao se encaixa nas nossas peculiares regras diarias de conduçao dos atos minimos, e ai se incomoda com a maneira do outro higienizar os dentes, de descascar as batatas e de escolher os produtos no supermercado. "Se de dia a gente briga, à noite a gente se ama" como diz a famosa musica cantada por Leandro e Leonardo. A furia das picuinhas passa e depois, ao se imaginar viver sem a pessoa amada, da vontade de reatar os laços. Minha vo Cici diz sempre "ruim com ele, pior sem ele", nao por uma mera questao pragmatica, afinal somos mulheres e homens que vivem com independencia, mas porque é gostoso amar e estar com alguém apesar das diferenças, muitas vezes quase inconciliaveis.
As relaçoes interculturais demonstram terrivelmente as contradiçoes da unidade dialética aproximaçao-distanciamento. Guerras civis e militares se dao por obvios motivos politico-economicos, mas também pela dificuldade em suportar os usos e costumes do outro. As praticas religiosas dos outros povos, seus gostos alimentares, seus valores e suas formas de convivialidade se chocam com as nossas, e, ao mesmo tempo que desenvolvemos uma curiosidade como observadores, temos o desejo de nos distanciarmos e, até mesmo, de retirar de nossas vistas aquela forma diferente de existencia. Eu como professora cheguei, em um determinado ano letivo, a ter quase 900 alunos, e, em geral, na média, 200 a 300 a cada ano, o que me obrigava a uma convivencia estreita por ao menos duas horas semanais com cada grupo, muitas vezes em situaçoes de explicita guerra declarada. Os conflitos eram imensos, assim como as simpatias e empatias, mas era notorio para mim como tudo era conflagrado segundo as cosmovisoes que assumiamos, eu e eles. Os que mais me atraiam positivamente eram os que tinham historias proximas à minha e os que me causavam repulsa eram os que se postavam do outro lado do front, como aqueles que renegavam meus valores e minha maneira de ser, o mesmo podendo se dizer dos alunos para comigo. Mas, era "batata", sempre havia uma atraçao irresistivel por aqueles que maiores problemas causavam, eram os que mais tempo me consumiam em minhas tentativas de cumprir minha tarefa e, ao mesmo tempo, eram os sinais luminosos que me faziam enfrentar meus preconceitos e dificuldades pessoais. Sem os que me irritavam com certeza eu aprenderia muito pouco com minha propria profissao. Também entre os alunos se estabeleciam rixas causadas por suas origens etnicas e socioeconomicas e eu tinha que criar recursos pedagogicos para fazer com que eles se aproximassem, porque quando a gente se aproxima do diferente ele fica um pouco mais parecido. De perto se desfazem mitos. Lembro também das dificuldades que sentia quando, na infancia e na adolescencia, quando tinha que ir a festas e atos solenes com pessoas de origens socioeconomicas diferentes da minha, especialmente mais altas, tinha uma sensaçao imensa de deslocamento que acabava por gerar uma certa ogeriza a tais personagens e ambientes.
No que se refere aos contatos interdimensionais, sempre me lembro de uma visao que André Luiz, escritor por meio de Chico Xavier, descreveu. Ele conta que, dessomatizado, habitando no plano astral, ficou assustadissimo e com medo quando encontrou seres muito diferentes e foi esclarecido, por um mentor, de que se tratavam de pessoas encarnadas em desdobramento. Assim como nos quando em desdobramento consciente nos deparamos com seres em outros corpos e em outras dimensoes. Imagine o homem comum da humanidade atual entrando em contato com seres de outras dimensoes superiores ou inferiores, os quais para ele poderiam ser interpretados como demonios, anjos ou deuses, pelos quais teriam deslumbramento e ao mesmo tempo repulsa. Um professor de Antropologia Filosofica, José de Sa Porto, falava em suas aulas do sentimento religioso de "Tremor e Temor" do homem frente ao mistério. A atraçao reverente e ao mesmo tempo assustadora. Muitos de nos dizemos querer ver a Deus, porém nao necessariamente agora... queremos reencontrar nossos amados dessomados, mas por favor, nao no calar da noite e no escuro...
A dificuldade é como viver e nao viver com. Como a famosa fabula de Arthur Schopenhauer sobre os porcos-espinhos que necessitavam viver juntos no inverno mas sem se espetarem. Precisamos dos outros mas nao podemos viver totalmente integrados aos outros. Um ex-terapeuta meu, Arlindo Salgueiro, escreveu um texto em que falava que para nos relacionarmos temos que ter corredores arejados entre nos, proximos mas com espaços suficientes para respirarmos e nos movimentarmos confortavelmente.
Em todas as situaçoes o desejo é encontrar um alter ego, um espelho em que nos miremos com aceitaçao, mas o que ocorre muitas vezes é observar nosso lado sombra realizado no outro e nossa luz brilhando nas suas açoes. Nossa vontade é matar no outro aquilo que em nos viceja e ja ha tanto tempo nos faz mal. O que admiramos no outro é aquilo que ja aprovamos como conquista de nossa propria experiencia de vida. O mérito ou o demérito que vemos no outro é apenas projeçao daquilo que nos constitui em atualidade. Olhar o outro é desejar ser com e como ele e ao mesmo tempo destrui-lo para que ele nao promova incomodos existenciais nos nossos poroes obscuros.
De qualquer maneira, o outro é uma necessidade natural para nos pela forma como a vida se constitui no universo, tudo é integrado num grande todo em que cada ser esta mergulhado; precisamos ver no outro aquilo que em comum em nos existe, mas, ao mesmo tempo, ver na diferença do que ha em mim e do que ha no outro, dons com os quais podemos aprender mutuamente.
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